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Com alta de casos, câncer anal pode ser evitado com vacina

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Considerado raro e ainda pouco discutido, o câncer anal tem se tornado um desafio crescente para a saúde pública. Na última década, houve mais de 38 mil internações em decorrência da doença em hospitais públicos no Brasil. No mesmo período, foram registradas 6.814 mortes por causa desse tipo de tumor. É o que revela um levantamento da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), realizado com dados do Ministério da Saúde e divulgado no início de fevereiro.

Estima-se que o câncer anal represente cerca de 1% a 2% de todos os tumores colorretais na população geral. Embora considerada rara, a doença tem apresentado aumento de incidência nas últimas décadas, especialmente em grupos de alto risco. A boa notícia é que ela prevenível e pode ser curada, mas para isso é preciso detectar e tratar precocemente.

“No Brasil, a escassez de dados específicos dificulta o monitoramento preciso dessa evolução. Esse levantamento [da SBCP] é importante porque possibilita um melhor acompanhamento dos dados brasileiros, melhor entendimento e controle dos fatores de risco e, consequentemente, melhor prevenção e detecção precoce”, comenta a oncologista clínica Ana Paula Garcia Cardoso, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Entre as manifestações dessa doença estão dor, sangramento, coceira ou uma pequena verruga (nódulo) na região do canal anal. Por isso, muitas vezes é confundida com hemorroida – o que faz a pessoa não procurar um médico.

“A doença hemorroidária clássica é caracterizada por nódulos macios e amolecidos, mas eles podem ficar mais endurecidos num quadro trombótico agudo, por exemplo. As hemorroidas possuem um aspecto muito típico e característico e isso a gente consegue diferenciar por meio de um exame simples, chamado anuscopia, feito no próprio consultório”, explica o coloproctologista Victor Seid, membro titular da SBCP.

Se a lesão for considerada suspeita, é realizada uma biópsia para a confirmação do diagnóstico. O tratamento depende do estágio de detecção da doença, mas pode incluir quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, cirurgia.

HPV é o principal vilão

O que pouca gente sabe é que, na maioria das vezes, o câncer anal está relacionado à infecção pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente pelos tipos 16 e 18, os mesmos associados ao desenvolvimento do câncer de colo de útero. Embora esse vírus seja transmitido, principalmente, por meio de relações sexuais, ele pode afetar qualquer pessoa que tenha contato com as mucosas da região genital ou anal.

O aumento da prática de sexo anal desprotegido está relacionado ao crescimento da incidência desse tipo de câncer, já que o uso de preservativo é uma das medidas mais eficazes para evitar a transmissão do HPV. Mas a principal ferramenta preventiva é a vacinação, disponível na rede pública para meninos e meninas entre 9 e 14 anos. A imunização nessa faixa etária, antes do início da vida sexual, oferece maior proteção.

“A prevenção primária por meio da vacinação contra o HPV é uma estratégia crucial para reduzir a incidência desse tipo de câncer. No entanto, a cobertura vacinal no Brasil ainda é considerada baixa, o que reforça a necessidade de políticas públicas eficazes para ampliar a imunização, especialmente entre os grupos mais vulneráveis”, observa a oncologista.

Outro fator de risco é a imunossupressão, característica de pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, como aquelas que vivem com HIV ou fazem uso de medicamentos imunossupressores (como transplantados e portadores de doenças autoimunes). O enfraquecimento do sistema imunológico dificulta o combate à infecção persistente por HPV, o que eleva o risco de câncer associado ao vírus.

A idade também influencia a probabilidade de desenvolver a doença, com maior incidência entre pessoas acima de 50 anos. No entanto, esse câncer não se limita aos mais velhos, sendo cada vez mais diagnosticado em adultos jovens.

Prevenção é essencial

Apesar de ser uma doença grave, o câncer anal é prevenível — e as medidas não são as mesmas do câncer colorretal. “Muitos pacientes fazem colonoscopia pensando que o exame também vai avaliar o canal anal, mas isso não acontece. Quando o colonoscópio é introduzido no reto para examinar o intestino, ele já passou do canal anal”, explica Seid.

Para aqueles em grupos de risco, como pessoas com HIV ou histórico de infecção persistente por HPV, é importante realizar exames regulares, como a anuscopia, que permite detectar alterações precoces nas células da região. O uso regular de preservativos durante o sexo vaginal, anal e oral continua sendo uma recomendação fundamental para prevenir a transmissão do HPV e outros agentes patogênicos que podem causar câncer.

Também é importante que a população conheça os sinais da doença. “A prevenção é sempre o melhor caminho”, afirma Ana Paula Cardoso. “Mas é imperativo aprimorar os sistemas de informação em saúde para obter dados mais precisos sobre a incidência, prevalência e mortalidade associadas a essa neoplasia, permitindo, assim, a implementação de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento mais eficazes.”

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Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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