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Mulher é exposta na internet em anúncio falso: “Vende-se bebê por R$ 50”

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Anúncio falso expõe grávida negra na internet. A foto da jornalista Raíssa Gomes foi tirada quando ela estava grávida de nove meses. Ela considera que o episódio envolve racismo e machismo: “o que aconteceu comigo é somente um reflexo do que a sociedade pensa e reproduz”. Ministério Público passa a investigar o caso
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O “anúncio” foi feito no Facebook e apagado horas depois. Polícia Civil e Ministério Público investigam o caso

A jornalista Raíssa Gomes teve uma foto sua grávida, tirada em 2011, colocada em forma de anúncio num grupo de Facebook destinado a vender artigos usados, com a seguinte frase: “Vende-se um bebê por R$ 50 reais”. Abaixo da foto ainda diz: “como eu e minha mulher não conseguimos Cytotec [medicamento utilizado para a realização de aborto] resolvemos vender a criança”.

A foto foi tirada em 2011 e mostra a jornalista grávida de nove meses – o filho completou 3 anos em novembro. Ela conta que a imagem ilustrava um texto de combate ao preconceito, publicado no site de um coletivo de mulheres negras da capital federal.

“Fiz um texto para o site Blogueiras Negras, justamente retratando um caso de racismo que eu sofri porque estava grávida. Acho que ficou no Google, sei lá o que esse povo vai pesquisar. Esse perfil não tem nenhum amigo em comum, nada, nada”, afirma.

“O que aconteceu comigo é somente um reflexo do que a sociedade pensa e reproduz. Já passou da hora das pessoas entenderem que não é um caso isolado; é necessário discutir abertamente sobre racismo no Brasil e a perpetuação dessas atitudes”, enfatiza.

A Polícia Civil do Distrito Federal afirmou que está investigando o caso.

Cristiane Damacena

Coincidentemente, outra jornalista do Distrito Federal foi vítima de racismo na internet e levou o caso à Justiça. Após alterar sua foto do perfil no Facebook, Cristiane Damacena recebeu uma enxurrada de xingamentos racistas.

Raíssa, que estava ciente do caso da colega de profissão, entrou em contato com Cristiane para saber que medidas tomar.

“Como a Cristiane passou por isso na semana passada, entrei em contato com ela para saber como lidar. Ela falou isso, para tirar os prints, vir na delegacia registrar ocorrência, depois ir no Ministério Público”, disse.

Combate em racismo

Em 2014, o Núcleo de Enfrentamento à Discriminação no DF ofereceu 47 denúncias com base em inquéritos policiais. Segundo o departamento do MP, a maior parte delas se referia a crimes de racismo e injúria racial. Nos primeiros quatro meses de 2015, 24 denúncias já foram oferecidas e podem ser convertidas em ações penais públicas contra os agressores.

com informações de Fórum, G1 e CartaCapital

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