Um dos temas do momento no que diz respeito ao meio ambiente, a transição energética vem levantando diversos debates sobre as novas fontes de geração, com vistas a uma “economia de carbono zero”.
E no meio dessa agenda, ainda timidamente, aparece o biogás. Os dados mais recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica apontam que a geração de energia por biogás, somadas a distribuída (por fonte renovável que ocorre nas próprias unidades ou em área próxima) e a centralizada (grande geração, ligada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico), conta com um potencial de aproximadamente 400 mil kW (kilowatts) em pouco mais de 600 usinas espalhadas por 18 estados do país. Essa geração teria a capacidade de alimentar, em média, 2,6 mil casas por mês. A título de comparação, a usina de Itaipu tem uma capacidade instalada de cerca de 14 mil MW (megawatts).
O potencial econômico e ambiental do biogás, no entanto, é enorme, na visão do projeto Biogás Brasil. Encabeçado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, o projeto estima que a cadeia de produção do biogás teria a capacidade de gerar 798 mil empregos no Brasil.
Soma-se a isso, a geração anual de 78,9 bilhões de m³ de gás e a redução de emissões de 642 milhões de toneladas de CO² equivalente no meio ambiente do país, somando fontes como saneamento, setor agrícola e sucroalcooleiro, entre outros.
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A produção do biogás é, em tese, bastante simples. Ela é realizada a partir da decomposição do lixo orgânico recolhido em áreas como aterros sanitários, preparados para evitar contaminação do solo e captar os gases liberados pela fermentação da matéria acumulada. O biogás “nasce” da combustão feita no biodigestor anaeróbico, que se utiliza de calor e pressão, basicamente. O gás pode ser queimado para gerar eletricidade, virar combustível (biometano) ou mesmo servir para a fabricação de fertilizantes verdes aplicáveis na agricultura.
Entre as principais iniciativas na área hoje em funcionamento no país está a usina de biometano GNR Fortaleza. Instalada na capital do estado cearense, a estrutura está dentro do centro de tratamento e transformação de resíduos localizado em Caucaia, município da Região Metropolitana de Fortaleza. A usina é fruto da primeira parceria-público privada de resíduos do país, com um investimento da Marquise Ambiental em parceria com a MDC Energia, que reconhece o material como fonte produtora de energia.
“A GNR Fortaleza foi responsável por 31,6% de todo o biometano produzido no Brasil em 2024. O ganho ambiental central está na captura do metano — um gás de efeito estufa 27 vezes mais poluente que o CO² — e sua transformação em energia limpa. Com isso, a usina evita o lançamento de cerca de 500 mil toneladas de CO² equivalente por ano na atmosfera. Esse resultado reforça o impacto direto do projeto no combate às mudanças climáticas e na promoção da economia circular”.
Hugo Nery, presidente da Marquise Ambiental
O biometano produzido na GNR Fortaleza é injetado na rede da Companhia de Gás do Ceará (Cegás) e representa cerca de 15% do que a empresa entrega a indústrias, comércios, residências e para o abastecimento de veículos no estado.
Ainda de acordo com o executivo, a empresa pretende ampliar a experiência de Fortaleza para outras áreas dentro dos próximos anos.
“A Marquise Ambiental pretende investir para os próximos três anos, incluindo a implantação de cinco novas usinas de biometano: Manaus (AM), Porto Velho (RO), Natal (RN), Osasco (SP), Aquiraz e Eusébio (CE)”, completou Nery.
A grande aposta é no Amazonas. A partir do início do funcionamento do centro de tratamento de resíduos de Manaus, que já está pronto para operar, a usina poderá produzir até 90 mil m³ de biometano por dia, suficiente para abastecer cerca de 170 mil residências, reduzindo aproximadamente 300 mil toneladas equivalentes de gases de efeito estufa por ano.
Fonte: Metrópoles


