O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, avalia que ainda há resistência das empresas de tecnologia no repasse de informações às polícias de todo mundo. Ele acredita que esse cenário precisa mudar, principalmente para crimes considerados graves.
O debate sobre regulação das bigtechs foi um dos temas abordados no CNN Entrevistas desta semana.
“A Interpol tem apoiado os países nesse diálogo com as empresas de tecnologia. Na assembleia-geral, no fim do ano passado, votamos e aprovamos uma resolução no que se refere ao acesso pelas polícias mediante ordem judicial de serviços que usam criptografia para comunicação”, destacou.
“Está cada vez mais difícil obter informações que são necessárias para as investigações. Casos de crime organizado, exploração sexual, terrorismo, por exemplo, as polícias necessitam de acesso. E precisa ser regulado e amparado por decisão judicial e ordem legal em cada país. Uma vez cumpridos, não há porque limitar acesso que é tão útil e necessário. Hoje as polícias enfrentam limitação na obtenção dessas informações”, complementou.
Urquiza aponta que a informação transita de forma criptografada pelo mundo. E fala da dificuldade de se obter conteúdo, até mesmo sobre crimes gravíssimos.
“As polícias precisam da colaboração das empresas. O diálogo tem ocorrido entre as polícias e empresas. Há, de fato, uma resistência, mas acredito que o com bom senso e compreensão para crimes tão graves que possam ser esclarecidos”, pontuou.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br