O Governo de São Paulo estruturou programas e serviços para auxiliar mulheres na segurança, saúde e profissionalização. São ações como cursos gratuitos, aplicativos e espaços de acolhimento idealizados para atender o público feminino. Dar visibilidade aos serviços para as mulheres é um dos objetivos do movimento SP por Todas, que completou um ano neste mês. Conheça histórias de mulheres que passaram pelos serviços oferecidos.
LEIA TAMBÉM: Em um ano, SP Por Todas acolhe vítimas, fortalece empreendedorismo e amplia atendimento à saúde
Cabine Lilás
A Cabine Lilás já ajudou mais de 6 mil mulheres com atendimentos sobre orientações de como obter medida protetiva e informações sobre os direitos como auxílio-aluguel, redes de abrigo, linhas de crédito, entre outros assuntos. Uma das vítimas atendidas pelo 190, número de emergência da Polícia Militar e recebeu apoio. “Fui muito bem acolhida e instruída pelos policiais. Me senti bem à vontade, são muito profissionais”, disse a dona de casa.
A mulher de 39 anos contou que começou a ter problemas com o agressor um ano após o início do relacionamento. De acordo com a vítima, as agressões sofridas durante a relação, também de forma psicológica, fizeram com que ela se mudasse de casa e criasse coragem para fazer a denúncia.
Após a ligação para o serviço de emergência da PM, a mulher obteve auxílio para solicitar a medida protetiva e não teve mais problemas com o agressor, que precisa manter 300 metros de distância da casa da solicitante.
Com coragem para denunciar, a dona de casa incentivou outras vítimas a pedirem ajuda à polícia. “Infelizmente não é só a mulher que sofre. Os filhos e a família também. As mulheres acham que não têm estrutura para viver sozinha, e os agressores se aproveitam disso. Por isso, nós precisamos entender que não podemos continuar nesse ciclo”, afirmou.
Mulheres vítimas de violência também contam com abrigos para acolhimento. Durante os dois primeiros anos de gestão, o Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS), entregou 14 unidades, que atendem municípios e regiões do estado.
Nesses locais, cuja localização é sigilosa, elas recebem moradia e alimentação, além de serem encaminhadas para tratamento de saúde e orientadas sobre trabalho e renda. O objetivo é que possam se reorganizar profissional e financeiramente rumo à autonomia para não serem obrigadas a retornar ao convívio com o agressor.
Uma das acolhidas é uma mulher de 39 anos que chegou em janeiro. Após um episódio de agressão cometida pelo homem com quem se relacionava, ela tomou coragem e pediu ajuda em um posto de gasolina. “Foi quando um funcionário me falou que havia uma casa que acolhia mulheres em caso de violência. Eu não tenho onde morar e minha família não pode me acolher, aqui todos cuidam muito bem de mim. Tenho psicólogo, assistente social e coordenadora, devo ficar mais seis meses aqui”, afirmou. No dia da agressão, ela conseguiu registrar um boletim de ocorrência e obteve uma medida protetiva contra o agressor.
Hospital da Mulher
Aparecida Alessandra dos Santos descobriu um câncer de mama durante o Outubro Rosa de 2023. A auxiliar de enfermagem topou passar pelos exames oferecidos naquele mês no Hospital da Mulher, na capital paulista, e descobriu a doença. “No começo foi muito difícil, porque na hora, a gente não quer aceitar. Eu sentia um pouco de dor, sentia um incômodo, mas ia atrás. E foi tudo muito rápido, descobri em outubro e já comecei com a preparação para a cirurgia lá mesmo”, afirma.
A cirurgia foi realizada em fevereiro de 2024. Na sequência, Aparecida passou pelas sessões de quimioterapia e radioterapia. Atualmente, ela já se encontra na fase final do tratamento. “Estou curada, fiz os exames e não tenho nada. O Hospital da Mulher foi muito importante, me ajudou, me acolheu e deu tudo o que eu precisei, como os exames”, ressalta.

Aparecida está afastada desde o início de 2024 do trabalho e deve voltar ao trabalho em julho. “Não vejo a hora, estou contando os dias, os minutos, esperando ansiosamente por este dia. Espero poder passar um pouco da minha experiência, que eu possa ajudar e acolher outras pessoas, porque sei como é difícil e o como você tem que ser forte”, afirma.
Outro serviço oferecido às mulheres são as carretas de Mamografia, iniciativa da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que registraram aumento de 40% nos exames de prevenção e diagnóstico do câncer de mama no Estado de São Paulo em 2024. Foram realizados 34.605 exames, ante 24.690 em 2023. Neste ano, já foram realizados entre os dias 6 de janeiro e 25 de março, 11.607 exames de mamografia pelas carretas.
Linha de crédito Desenvolve Mulher
A empresária Luzia Duarte é uma das beneficiadas com empréstimo para abrir seu próprio negócio. Ela decidiu mudar de área após 25 anos no setor de Tecnologia da Informação. Em 2012, começou vendendo massas frescas no condomínio onde mora e, aos poucos, se aventurou em dar aulas de culinária. Em 2023, conheceu a linha de crédito Desenvolve Mulher, da Desenvolve SP. Com o financiamento, montou o Chef das Gulas Escola de Gastronomia.
“Lá em 2012, quando comecei a fazer massa, ter meu próprio negócio era uma coisa muito fora da minha realidade. E hoje, a gente conseguiu isso graças a esse financiamento”, afirma Luzia Duarte.
O espaço, localizado na Zona Sul da capital, oferece, além de aulas de culinária, consultoria e treinamento, experiências gastronômicas e locação do espaço para gravações de receitas e cursos. “Nosso faturamento triplicou. Não é só pela venda de cursos, mas também pelas outras opções que ofereceremos”, destaca.
A Desenvolve SP, agência de fomento paulista ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, tem opções para micro, pequenas e médias empresas administradas por elas. As mulheres podem acessar a linha Desenvolve Mulher que possui taxas e prazos de pagamento diferenciados. Até dezembro de 2024, a agência já havia liberado mais de R$ 128 milhões para projetos de empresas lideradas por mulheres em todo o estado.
Além das linhas de crédito da Desenvolve SP, mulheres que desejam empreender contam com outras possibilidades em São Paulo por meio do Banco do Povo, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).
As mulheres agricultoras também contam com uma linha exclusiva por meio o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) Mulher Agro SP. Estão disponíveis R$ 10 milhões de crédito para operações de propriedades rurais lideradas por mulheres. A beneficiária tem até 84 meses e carência de até 12 meses.
Capacitação
Mulheres interessadas em iniciar ou expandir seus negócios podem procurar os serviços do Governo de São Paulo para fazer cursos de capacitação ou especialização de forma gratuita. Desde 2023, mais de 100 mil delas se inscreveram nas oficinas em programas como o Qualifica SP, carreta de empreendedorismo e oportunidades do Fundo Social. Os cursos são voltados para trazer autonomia e independência financeira ao público feminino, com geração de renda e impacto social, que é um dos pilares do SP Por Todas.
Uma das iniciativas disponíveis são as Escolas de Qualificação Profissional do Fundo Social de São Paulo. A cozinheira Dione Pereira da Silva, 53 anos, já completou alguns cursos na Praça da Cidadania de Itapevi, região metropolitana de São Paulo. No começo do ano passado, se inscreveu para o curso de Confeitaria Básica e não parou mais. Com o conhecimento adquirido, Dione começou a aceitar encomendas de bolos, pães e doces. “A renda que eu tenho é das coisas que faço e aprendi no Fundo, como pão, bolo, salgados e docinhos. E ajuda bem em casa”, afirma Dione.
No programa Escolas de Qualificação Profissional do Fundo Social de São Paulo, os cursos de Beleza, Moda e Gastronomia são os mais buscados.
São Paulo por Todas
São Paulo Por Todas é um movimento promovido pelo Governo do Estado de São Paulo para ampliar a visibilidade das políticas públicas do estado para mulheres, bem como a rede de proteção, acolhimento e autonomia profissional e financeira exclusivamente disponíveis para elas.
Fonte: www.agenciasp.sp.gov.br