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O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sancionou nesta quarta-feira (20) o projeto de lei que autoriza o BRB (Banco de Brasília) a adquirir participação no Banco Master. A sanção, publicada em edição extra do Diário Oficial, ocorre um dia após a aprovação da proposta pela Câmara Legislativa. O negócio, no entanto, ainda depende do aval do Banco Central (BC), além de enfrentar desconfiança do mercado e suspeitas apontadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
O BRB pretende adquirir 58% do capital total do Master, sendo 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já aprovou a operação, mas a decisão final está nas mãos do BC, que analisa o caso há cerca de dois meses e não tem prazo definido para conclusão.
O governador do DF, Ibaneis Rocha. Crédito: José Cruz/Agência Brasil
Compra do Master: inconsistências e suspeitas
A avaliação técnica do BC identificou inconsistências nos dados apresentados tanto pelo BRB quanto pelo Banco Master, sobretudo em relação ao “perímetro” da operação — quais ativos entram ou ficam de fora do acordo. Inicialmente, cerca de R$ 23 bilhões ficariam excluídos da transação, número que depois subiu para R$ 33 bilhões.
Segundo fontes próximas ao processo, há duas possibilidades em análise: o veto completo ou a aprovação apenas da chamada “parte boa” do banco.
Outro ponto de tensão é a atuação recente do Master no mercado. A instituição foi alvo de críticas por ter utilizado o respaldo do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em sua comunicação para atrair investidores a aplicações de alto risco. Agora, busca uma nova linha de crédito de até R$ 12 bilhões do FGC para manter a liquidez, após já ter obtido R$ 4 bilhões.
Crimes financeiros
Além do escrutínio técnico, a CVM apontou indícios de crimes financeiros na gestão do Banco Master. De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a autarquia identificou operações fraudulentas que inflaram artificialmente o patrimônio do banco e permitiram aportes de R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica comprovada. A CVM alerta que essas práticas podem comprometer gravemente a solidez patrimonial da instituição.
O Banco Master afirma que os investimentos mencionados pela CVM “já foram integralmente quitados” e que “não há qualquer exposição”. Já o BRB, enquanto aguarda a análise do BC, poderá convocar uma assembleia de acionistas para aprovar o negócio, se autorizado, conforme exigência da Justiça local.
Fonte: ICL Notícias


