Ao longo das duas últimas semanas, o Governo de São Paulo realizou a maior formação de agentes desde o início do SuperAção SP, programa voltado à transformação de vidas e ao combate à pobreza no estado.
Foram 213 profissionais na formação promovida em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV Projetos), responsável pela contratação dos profissionais, e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O número faz parte de um conjunto de 302 profissionais contratados para atuar em municípios que aderiram à primeira onda do programa.
Durante o período, os agentes passam por aulas teóricas e práticas sobre construção de vínculos de confiança, uso de tecnologias digitais para monitoramento e elaboração de planos familiares. O objetivo é garantir alinhamento metodológico, fortalecer a rede de apoio e assegurar que o atendimento às famílias ocorra de forma humanizada, eficiente e baseada em evidências.
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“Formar 213 agentes de uma só vez é um marco que reflete o propósito do SuperAção SP, que é escalar sem perder qualidade no atendimento. Cada profissional capacitado é um elo essencial entre o Estado e as famílias que mais precisam levando informação, apoio e oportunidades reais”, afirma a secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém. “É assim que estamos construindo um novo padrão de política social em São Paulo: centrado nas pessoas, orientado a resultados e comprometido com a transformação duradoura de vidas”, conclui.
Novos profissionais
Entre os novos profissionais está a Lilian Borges da Silva, que sabe, por experiência própria, o que significa precisar de uma segunda chance. Ela está sendo treinada para ser supervisora de Desenvolvimento Social do SuperAção SP e carrega na trajetória o que muitos agentes têm aprendido em sala de aula: durante 20 dias, depois da morte dos pais, ela ficou em situação de rua e fazia malabarismo nos faróis para conseguir dinheiro para sobreviver e a tarde saia em busca de um emprego. Em menos de três semanas, conseguiu um trabalho em uma cooperativa. Hoje, com 12 anos de atuação como assistente social e ativista de direitos humanos, ela se prepara para incentivar a equipe de agentes que atuarão em Cotia, na Grande São Paulo, para enxergar além do que é visível.

“Como mulher negra que conhece a vulnerabilidade na pele, sei que o que não é dito muitas vezes está em um olhar, em um gesto. É isso que quero transmitir aos nossos agentes: observar além do olhar, ouvir além do escutar. Quando um agente entra na casa de uma família, ele pode ser a grande chave de virada na vida de alguém. O talento já está ali e o SuperAção SP existe para abrir essa porta”, afirma.
Ao concluírem a formação, os agentes elaborarão planos de desenvolvimento individualizados em conjunto com as famílias, além de conectá-las a serviços públicos e oportunidades de emprego e renda, apoiando-as no caminho rumo à autonomia. Cada profissional acompanhará até 20 famílias, com visitas semanais, quinzenais ou mensais, de acordo com a necessidade de cada caso.
O ponto central desse processo é o Plano de Desenvolvimento Familiar (PDF), documento construído junto com a família que traça metas, objetivos e ações para cada integrante, com foco na inclusão produtiva, no fortalecimento dos vínculos comunitários e no acesso a serviços nas áreas de saúde, educação, habitação e emprego e renda.
O modelo de atendimento segue três módulos complementares: Proteger, que visa garantir o acesso das famílias às políticas públicas disponíveis na região; Desenvolver, com foco em educação e capacitação profissional; e Incluir, voltado à inserção efetiva no mundo do trabalho por meio do emprego formal ou do empreendedorismo.
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O trabalho é baseado na busca ativa de famílias em situação de vulnerabilidade social já inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Os agentes vão diretamente até os lares, sem que as famílias precisem se deslocar até uma unidade de assistência social. O acompanhamento tem duração de dois anos, seguido de seis meses de monitoramento para verificar se os avanços se sustentam. Os auxílios e incentivos variam conforme o perfil e o módulo em que cada família estiver inserida e podem ultrapassar R$ 10 mil ao longo de todas as etapas do programa.
A formação representa mais uma etapa na expansão do SuperAção SP pelo estado. Até o momento, 89 agentes já atuam em oito municípios das regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Sorocaba e Baixada Santista. São eles: Barueri, Cabreúva, Campinas, Embu das Artes, Itaquaquecetuba, Paulínia, São Roque e São Vicente.
Além destes oito municípios em que o SuperAção SP já começou, as vagas agora também são para:
- Região Administrativa de São Paulo: Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Guarulhos, Mauá, Osasco, Santana de Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo e Taboão da Serra.
- Região Administrativa de Campinas: Americana, Araras, Cordeirópolis, Elias Fausto, Holambra, Indaiatuba, Iracemápolis, Itatiba, Itupeva, Jaguariúna, Jarinu, Jundiaí, Limeira, Louveira, Monte Mor, Mogi Mirim, Nova Odessa, Pedreira, Santa Bárbara D’Oeste, Santa Gertrudes, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos, Várzea Paulista e Vinhedo.
- Região Administrativa de Sorocaba: Itu, Mairinque.
Sobre o SuperAção SP
O SuperAção SP é um programa do Governo de São Paulo que integra políticas públicas de diferentes áreas em uma jornada completa de atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade social, com acompanhamento individualizado para a promoção da autonomia. A iniciativa é voltada a famílias residentes no estado, inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e com renda familiar por pessoa inferior a meio salário-mínimo nacional.
O atendimento ocorre diretamente nos territórios, com a atuação de agentes que visitam as famílias em suas casas para realizar um diagnóstico e construir com elas o Plano de Desenvolvimento Familiar (PDF), um documento que organiza metas e oportunidades de acordo com o perfil profissional, educacional e social de cada família.
Além disso, o trabalho dos agentes inclui conectar as famílias a políticas públicas às quais já têm direito, mas que muitas vezes não acessavam por falta de informação, orientação ou acesso. O acompanhamento pode durar até dois anos, com monitoramento adicional para avaliação dos avanços.
O SuperAção SP atua por meio de duas trilhas de apoio. Na Trilha de Proteção Social, famílias em situação de maior vulnerabilidade recebem acompanhamento prioritário com auxílio mensal para atendimento de necessidades básicas. Já na Trilha de Superação da Pobreza, o foco é a capacitação, a qualificação profissional e a inclusão no mundo do trabalho, com acompanhamento contínuo e diversos incentivos financeiros ao longo da jornada.
Atualmente, o programa está em 48 municípios que aderiram à primeira onda. A iniciativa prevê beneficiar 105 mil famílias até 2027, com investimento superior a R$ 1,5 bilhão, entre recursos do Tesouro Estadual e financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Fonte: Agência SP


