Kate loira, William careca: o tribunal da aparência

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Na mesma semana em que o Brasil assiste ao mais importante julgamento da sua democracia – um ex-presidente e militares de alta patente sentados no banco dos réus -, um dos assuntos mais comentados nas redes não é a história em construção, mas o novo cabelo da princesa Kate Middleton.

Enquanto vidas se apagam na Faixa de Gaza – palestinos, médicos, crianças, jornalistas, soterrados pelo silêncio cúmplice -, a manchete que brilha é a loira da vez.

Não faltam opiniões sobre a cor, o corte, o tom escolhido. “Loiro envelhece, cabelo comprido demais não convém à idade dela.” Tudo, menos o óbvio: o direito de uma mulher decidir o que fazer com seus próprios fios, sobretudo depois de atravessar um câncer e o pesadelo da quimioterapia.

Kate Middleton

Kate Middleton. (Foto: Getty Imagens)

Curioso como o destino é desigual até no couro cabeludo: a careca de William, rendeu aplausos. Em 2023, foi até coroado o “careca mais sexy”. Ele assume a queda, e o mundo vibra. Ela muda de cor, e o mundo julga

De um lado, o homem celebrado pela ausência dos cabelos. Do outro, a mulher vigiada por cada centímetro dos seus. Peruca? Descuido? Vaidade? A dúvida converte em tribunal.

E nós, com tanto por discutir – o futuro das eleições de 2026, as sombras que rondam o Brasil, o peso das decisões de Donald Trump -, seguimos cultivando uma estranha obsessão: o julgamento das escolhas femininas. Quanto mais luz sobre elas, maiores as pedras lançadas.

Equilíbrio é preciso, claro. Não podemos viver apenas dos abismos – precisamos também de respiros, de temas que aliviem a alma. Mas o que me inquieta é ver muitas vezes como essa válvula de escape se converte em armadilha: um prazer apressado em julgar, sempre sem conhecer, sem se interessar, sem perguntar.

E, no fim, a vítima preferida permanece a mesma: as mulheres. Sempre elas.

 





Fonte: ICL Notícias

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