O pior resultado do governo Lula desde o “tarifaço” de Trump não é apenas um número frio na planilha da Quaest, é um atestado de ineficiência estratégica.
Com a desaprovação batendo em 51% contra 44% de aprovação, o Planalto assiste, atônito, ao derretimento de sua popularidade enquanto Flávio Bolsonaro escala as intenções de voto. O governo está perdendo o terreno das narrativas e, o que é mais grave, parece ter desaprendido a contra-atacar.
O cientista político Felipe Nunes, o homem que comanda a Quaest, foi cirúrgico: a desaprovação estabilizou num patamar perigoso, mas é a queda na aprovação que acende a luz vermelha. É um contrassenso político.
Em tese, os escândalos que cercam a extrema direita deveriam favorecer o governo, mas o que vemos é o oposto. A oposição, muito mais ágil e articulada, usa vazamentos seletivos para municiar manipulações que o governo, engessado e reativo, não consegue combater.
A ousadia da oposição não tem mais limites porque não encontra resistência à altura, avalia João Bosco Rabello.
Veja o caso de Romeu Zema. O governador mineiro, num ensaio de coro articulado, agora acusa o “Sacro Supremo” de fraudar o sorteio de ações. É uma acusação gravíssima: dizer que a distribuição de processos para Dias Toffoli foi manipulada. Se o cidadão comum passa a acreditar que até o sorteio eletrônico do STF é carta marcada, a instituição desmorona por dentro. E Zema faz isso porque sabe que, se bater e nada acontecer, o caminho fica livre para dobrar a aposta.
O governo Lula precisa sair da postura defensiva se quiser chegar vivo em outubro. Tem munição, mas falta pontaria e capilaridade.
O STF, por sua vez, segue na mesma toada reativa, permitindo que episódios produzidos diariamente corroam sua autoridade.
A logística da oposição é profissional; a do governo, amadora. Se não agir rápido para retomar a dianteira no campo eleitoral, o Planalto entregará o país de bandeja para quem ontem tentou o golpe e hoje usa o voto – e a desinformação – como arma definitiva.
Fonte: Metrópoles


