Lula se reúne com Macron na Índia em meio a debate sobre acordo Mercosul–UE

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou nesta quinta-feira (19) com o presidente da França, Emmanuel Macron, durante agenda oficial em Nova Délhi, na Índia. A reunião ocorreu em um momento estratégico, enquanto avançam as discussões internas para a ratificação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

O tratado, assinado oficialmente em janeiro após mais de duas décadas de negociações, ainda depende da aprovação dos países-membros para entrar plenamente em vigor. A França é um dos governos mais críticos ao acordo, principalmente por preocupações ligadas ao setor agrícola e a exigências ambientais.

Mesmo com posições diferentes sobre o acordo comercial, Brasil e França mantêm alinhamento em temas globais, especialmente na pauta ambiental. Lula e Macron cultivam uma relação diplomática considerada próxima e cordial.

Após o encontro, o presidente francês publicou mensagem nas redes sociais, em francês e em português, destacando a parceria entre os dois países em temas ligados à tecnologia:

“Feliz em reencontrar um grande amigo em Nova Délhi, o presidente Lula. Estamos unindo forças por uma inteligência artificial responsável e por redes sociais que não coloquem nossas crianças em risco. Vamos conseguir. Não vamos recuar!”

Macron não mencionou diretamente o acordo Mercosul–UE na publicação.

Macron convida Lula para próxima reunião do G7

Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os líderes também discutiram cooperação nas áreas de defesa, ciência, tecnologia e comércio, além de temas relacionados à paz e à agenda global.

Durante a conversa, Macron convidou Lula para participar da próxima cúpula do G7, que será realizada nos dias 15 e 16 de junho, em Evian, na França. O Brasil não integra o grupo, formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.

O comunicado oficial também destacou que o intercâmbio comercial entre Brasil e França alcançou recorde de US$ 10,3 bilhões em 2025, embora ambos os governos reconheçam que o volume ainda está abaixo do potencial das duas economias.

Outro ponto abordado foi a cooperação na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, com foco no combate ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e a crimes transnacionais.

Agenda na Índia e articulações internacionais

Lula está em visita oficial à Índia, onde participou da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial. O presidente brasileiro tem utilizado fóruns internacionais para ampliar o diálogo com líderes políticos e empresariais.

Além do encontro com Macron, Lula também se reuniu com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković. Diferentemente da França, a Croácia é favorável à entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia o mais rápido possível.

Durante a conversa, os dois líderes ressaltaram a importância do tratado tanto para ampliar o comércio quanto para fortalecer o multilateralismo em um cenário de conflitos globais.

Apesar da assinatura formal em 17 de janeiro, o acordo ainda precisa passar por etapas de aprovação interna.

Na União Europeia, o texto deve ser analisado pelo Parlamento Europeu e também pelo Tribunal de Justiça da UE. Dependendo da interpretação jurídica, partes do tratado poderão exigir aprovação dos parlamentos nacionais.

No Mercosul, o acordo terá de ser avaliado pelos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. No caso brasileiro, a expectativa é que a Câmara dos Deputados inicie a análise nas próximas semanas.

Existe ainda a possibilidade de aplicação provisória do tratado após a ratificação interna no Mercosul, mesmo que persistam questionamentos jurídicos na Europa. No Brasil, a previsão mais otimista aponta para implementação a partir do segundo semestre de 2026.

Relação bilateral fortalecida

Durante o terceiro mandato de Lula, Macron visitou o Brasil em 2024, passando por Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e pela Amazônia. Mais recentemente, participou da COP30 em Belém e cumpriu agenda em Salvador.

Apesar das divergências comerciais, o diálogo frequente entre os dois presidentes indica que a relação entre Brasil e França permanece estratégica — tanto na agenda ambiental quanto na cooperação internacional e no debate sobre tecnologia e regulação digital.





Fonte: ICL Notícias

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