- Ao ocupar a diretoria do Banco Central (BC) responsável pela análise da compra de parte do Master pelo BRB, Renato Gomes, que é um técnico de segundo escalão da autoridade monetária, pode definir o destino do sistema financeiro do país.
- Cabe a Renato Gomes, como diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, analisar a operação e emitir um voto a favor ou contra a negociação bilionária.
O assunto só pode ser levado para o colegiado após um posicionamento do diretor. Assim, também cabe a ele pautar quando a questão será discutida pelos demais integrantes da diretoria do Banco Central. - Caso não haja consenso entre os diretores — seja para aprovar ou reprovar a operação–, o processo volta para a análise… de Renato Gomes. E o resultado permanece sob sigilo, sem a divulgação do posicionamento de cada diretor sobre o assunto.
- Assim, Renato Gomes tem o poder não só de liberar a operação, mas também o de decidir quando e se o negócio será analisado.
- Diante das regras do BC, Gomes assume um poder superior ao do presidente da autoridade financeira, Gabriel Galípolo, que tem trabalhado apenas nos bastidores em busca de um possível consenso entre os integrantes da diretoria.
- Embora o assunto esteja na pauta do BC há cinco meses e a equipe técnica tenha feito inúmeros questionamentos e exigências, até hoje Renato não emitiu seu parecer sobre o negócio.
- O mandato de Gomes acaba em dezembro. E há quem diga que ele pode se despedir do BC sem ter levado o assunto ao colegiado, o que seria uma forma alternativa de brecar a operação mesmo sem opinar a respeito.
- Nos bastidores, há especulação de que Renato, depois de uma quarentena, já tem destino certo. Ele estaria de malas prontas para assumir um cargo em dos chamados “bancões”, que são os maiores opositores da transação envolvendo o Master e o BRB.
- A questão repercutiu no Congresso Nacional. Líderes do MDB, União Brasil, PL, Republicanos e PSB encamparam um projeto que dá aos parlamentares o poder de demitir diretores e o presidente do Banco Central (BC) em caso de atuação “incompatível com interesses nacionais”.
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Fonte: Metrópoles


