O Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), localizado na cidade de São Paulo, identificou ao menos 15 pessoas que tiveram contato com Candida auris, conhecido como “superfungo” pela sua capacidade de disseminação e resistência a antifúngicos.
A investigação ocorreu após um caso de infecção de “superfungo” identificado no dia 2 de janeiro deste ano. O infectado, um homem de 73 anos, evoluiu para óbito. O hospital esclarece que a morte foi causada por complicações cirúrgicas e não em razão da infecção do fungo.
Durante as coletas diárias, notificadas para as autoridades sanitárias, o hospital identificou a presença do micro-organismo em outros 14 pacientes. De acordo com o hospital, nenhum evoluiu para a infecção, ou seja, sem causar doença, durante a internação e tratamento dos pacientes.
Os casos foram reportados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o hospital afirma que adotou todas as medidas de segurança e controle, como a manutenção de pacientes em quartos individuais, higienização intensificada e treinamentos para as equipes.
O hospital deve realizar coletas mensais por seis meses para análise do cenário da disseminação do fungo. Em nota, a unidade de saúde do governo de São Paulo disse que, semanalmente, e reúne com a Anvisa para relatar as ações e os resultados das coletas e reforçar as normas de controle de infecção em todo o hospital.
A CNN entrou em contato com a Anvisa e não obteve retorno até a publicação desta matéria.
O que é o “superfungo”
Candida auris é um fungo que representa uma séria ameaça à saúde pública devido à capacidade do microrganismo de resistir aos principais medicamentos antifúngicos. Estudos apontam que até 90% dos isolados de C. auris são resistentes a fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas.
O fungo é um agente causador de doença oportunista, relatado pela primeira vez no Japão em 2009, em um caso de otomicose. Desde então, foi relatado em todos os continentes, com exceção da Antártica.
O primeiro caso de C. auris no Brasil foi identificado em novembro de 2020, em um paciente de 59 anos, internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) em Salvador, na Bahia. O fungo foi detectado após análise técnica pelo Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz (Lacen/BA) e pelo Laboratório do Hospital das Clínicas de São Paulo.
O fungo pode causar infecção na corrente sanguínea e outras infecções invasivas que podem ser fatais, principalmente em pacientes imunocomprometidos ou com comorbidades.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br