O que deveria ser um espaço de formação ética e cidadã se transformou, mais uma vez, em palco de uma manifestação grotesca e absolutamente inaceitável. A atlética da Medicina da USP expôs um cartaz que mostrava um indígena sendo pisoteado e ameaçado com uma arma, em uma suposta “brincadeira” entre faculdades às vésperas da Intermed — maior competição universitária da América Latina.
Não há contexto esportivo, rivalidade acadêmica ou liberdade criativa que justifique a banalização da violência contra povos originários, ainda mais em uma instituição pública que deveria ser referência em respeito à diversidade e à história brasileira.
🗣️ O uso de um indígena como mascote — prática já criticada por movimentos sociais como “racismo recreativo” — somado à representação explícita de agressão, revela um cenário de descaso, ignorância e falta de empatia. É inadmissível que estudantes de medicina, futuros profissionais da saúde, reproduzam estereótipos violentos e desumanizantes.
📢 A reação dos alunos que rasgaram o cartaz e exigiram punições foi legítima e necessária. Mas não basta apagar a imagem: é preciso reconhecer o erro, responsabilizar os envolvidos e promover ações educativas profundas. A Faculdade de Medicina da USP afirmou que não compactua com manifestações de violência ou preconceito, mas a sociedade exige mais do que notas oficiais — exige coerência, ação e transformação.
Este episódio não é isolado. É sintoma de uma cultura universitária que ainda tolera abusos sob o véu da tradição. E enquanto isso persistir, a universidade falha em sua missão de formar cidadãos conscientes e comprometidos com a justiça social.
📌 Que este caso sirva de alerta: não há espaço para racismo, violência simbólica ou humilhação em nome de rivalidade ou entretenimento.


