A Prefeitura de Marília compromete R$ 4,5 milhões em aluguel de prédio ocioso e repete padrão de gastos questionáveis com imóveis desocupados sob justificativa de uso público

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foto arquivo

A recente parceria anunciada pela Prefeitura de Marília para abrigar a nova sede da ETEC e FATEC em um prédio pertencente a uma instituição beneficente reacende um debate crítico sobre o uso do dinheiro público. O imóvel, que estava ocioso, será alugado por R$ 75 mil mensais, totalizando R$ 4,5 milhões ao longo de 60 meses — um valor expressivo que levanta dúvidas sobre a real necessidade e os critérios adotados para esse tipo de investimento.

Essa não é uma ação isolada. A mesma lógica foi aplicada anteriormente no aluguel do atual prédio da Biblioteca Municipal e da Galeria São Bento, ambos imóveis que estavam desocupados e passaram a receber aportes públicos sob o argumento de abrigar secretarias e serviços. O padrão se repete: imóveis sem uso são transformados em “soluções” administrativas, enquanto diversos prédios pertencentes à própria municipalidade permanecem subutilizados ou abandonados.

A justificativa oficial gira em torno da ampliação de serviços e da melhoria da infraestrutura pública, mas a prática revela uma política de terceirização disfarçada, que transfere recursos públicos para entes privados sem que haja transparência sobre estudos de viabilidade, alternativas mais econômicas ou retorno social efetivo.

O caso da nova sede da ETEC e FATEC, embora revestido de discurso técnico e educacional, escancara uma estratégia recorrente: usar imóveis ociosos como moeda política, enquanto ignora áreas públicas que poderiam ser revitalizadas com menor custo e maior controle. A cidade possui terrenos e prédios próprios que poderiam ser adaptados com investimento direto, evitando o comprometimento de milhões em contratos de locação que, ao fim, não deixam legado patrimonial para o município.

A crítica não se volta contra o fortalecimento do ensino técnico — uma pauta legítima e necessária — mas contra a forma como ele é instrumentalizado para justificar gastos que poderiam ser melhor planejados. O erário público não pode ser tratado como recurso ilimitado para resolver problemas com soluções fáceis e politicamente convenientes.

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