Mutuários do CDHU de Marília aguardam resposta do governador Tarcísio
É revoltante. Após décadas morando nos “predinhos da CDHU” em Marília, famílias inteiras estão sendo empurradas para a incerteza — e o governo que prometeu amparo parece desaparecer quando mais precisam.
Moradores fazem um desabafo desesperador: “Se cortarem o benefício, eu vou ser despejada. Não tenho para onde ir.” A chamada “carta de crédito” de R$ 10 mil oferecida pelo Estado virou piada amarga — valor irrisório para quem precisa alugar ou comprar uma moradia minimamente decente.
Tem moradora que vive apenas com o BPC (Benefício de Prestação Continuada), graças à Lei Orgânica da Assistência Social. E agora enfrenta uma imposição cruel: fazer financiamento significa perder o BPC. Ou seja, é uma escolha cruel entre teto sobre a cabeça ou segurança de vida.
Outra mutuária conta que morava nos prédios desde 1998 e até quitou o apartamento, denuncia: ninguém apresentou uma proposta séria. Só aparece oferta de migalhas — e prazo curto de auxílio-moradia. Ela cobra justiça e soluções de quem deveria cuidar dessas famílias: “Reformem ou reconstruam os prédios e nos devolvam nossas casas”, exige.
Para muitos, a promessa de reforma nunca foi levada a sério. O que se desenha agora é um desmonte: desocupação judicial dos prédios, o abandono físico das estruturas e, pior, o abandono social dessas pessoas que contribuíram por anos.
Enquanto isso, o governo de Tarcísio (ou a gestão responsável) tenta empurrar para frente uma carta de crédito simbólica — e uma solução temporária que pode simplesmente acabar. Para reforçar a gravidade, a Justiça já confirmou um acordo: o pagamento de R$ 1.000 de auxílio-moradia por mês, sob pena de multa milionária se o compromisso não for honrado.
Mas para quem vive com orçamentos apertados, isso ainda pode não bastar. Morar em aluguel, com transporte mais caro, longe de onde seus filhos estudavam — para muitos, é um retrocesso gigantesco.
Esse não é apenas o drama de algumas famílias — é uma falha do Estado. Um alerta claro: promessas de moradia popular só têm valor real se acompanhadas de políticas efetivas, compromisso de longo prazo e dignidade para quem vive no limite. Se o governo fingir que cumpriu seu papel com migalhas, está abandonando gente de verdade.


