Entre 2023 e outubro de 2025, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) destinou mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares à Polícia Militar, enquanto a Polícia Civil recebeu apenas R$ 8,27 milhões no mesmo período. A diferença escancara o desequilíbrio nos investimentos entre as duas corporações e reforça um modelo de segurança pública voltado para o policiamento ostensivo, em detrimento da investigação.
Em 2025, o deputado Guto Zacarias (União) foi um dos que mais contribuíram com a PM, destinando R$ 550 mil para compra de equipamentos na região da Vila Mariana. Outros parlamentares, como Frederico D’Avila e Gil Diniz (ambos do PL), também enviaram recursos para aquisição de armas e materiais táticos.
Especialistas apontam que essa lógica de financiamento prioriza o confronto direto e enfraquece a atuação da polícia técnico-científica e investigativa. Felippe Angeli, da Plataforma Justa, alerta que crimes complexos como homicídios e lavagem de dinheiro exigem estrutura investigativa, não apenas ações de repressão.
A diferença também aparece no orçamento oficial da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP). Em 2024, a PM recebeu R$ 11,1 bilhões, enquanto a Polícia Civil ficou com R$ 4,8 bilhões e a Polícia Técnico-Científica com apenas R$ 794 milhões. Em 2025, os números continuam desproporcionais, com a PM liderando os aumentos.
Além disso, a PM concentra a maior parte das bonificações por resultados. Só no primeiro semestre de 2025, foram R$ 827 milhões pagos aos militares, mesmo representando apenas 15,8% dos servidores estaduais. A falta de transparência sobre os critérios e beneficiários dessas bonificações também levanta críticas.
A deputada Paula Nunes (Psol-SP) denuncia que o modelo atual é “falido” e cobra mais recursos para a Polícia Civil, especialmente para o funcionamento 24h das Delegacias de Defesa da Mulher. Ela também critica a tentativa da SSP-SP de transferir atribuições da Polícia Civil para a PM, como o registro de boletins de ocorrência.


