ANÁLISE ELEITORAL | Simone Tebet em SP: O Potencial do Centro e os Desafios de 2026, por Marco Aurélio Zaparolli

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1. O Desempenho em 2022: A Base Paulista

Nas eleições de 2022, Simone Tebet (MDB) consolidou-se como uma força relevante em São Paulo, superando sua própria média nacional no estado.

  • Votação em SP: Tebet obteve 1.604.415 votos no estado (6,34% dos votos válidos), terminando em 3º lugar, à frente de Ciro Gomes.
  • Perfil do Eleitor: Seu melhor desempenho foi na capital e em cinturões metropolitanos, atraindo o eleitor de classe média, moderado e feminino, que rejeitava a polarização extrema.
  • O “Recall”: O eleitor paulista já conhece sua imagem de “equilíbrio fiscal” e “defesa institucional”, o que reduz o custo de uma nova campanha.

2. Comparativo de Forças: Possíveis Adversários

O Senado em 2026 terá duas vagas por estado, o que abre espaço para composições heterogêneas. Veja como Tebet se posiciona frente aos nomes cotados:

Candidato (Provável)Espectro PolíticoPonto ForteDesafio frente a Tebet
Eduardo BolsonaroDireita / BolsonarismoAltíssimo recall e base fiel.Disputam o eleitor conservador moderado.
Tarcísio de Freitas*Direita / Centro-DireitaMáquina estadual e entregas.(*Se ele não disputar a reeleição ou Presidência).
Geraldo AlckminCentro-Esquerda (Governo)Histórico em SP e interior.Ocupam o mesmo espaço de “moderação”.
Michelle BolsonaroDireita CristãCarisma e apelo popular.Tebet ganha no debate técnico/econômico.

3. Vantagens e Riscos da Estratégia “Importada”

Embora Tebet seja do Mato Grosso do Sul, a migração para São Paulo é uma estratégia comum para figuras nacionais (como o próprio Tarcísio, carioca, fez para o governo).

  • Vantagens (Pros):
    • Nacionalização: Tebet traz pautas de impacto nacional (Orçamento e Planejamento) para o debate paulista.
    • Apoio Presidencial: Contar com a máquina federal e o apoio de Lula pode garantir recursos e tempo de TV robustos.
  • Riscos (Cons):
    • Rótulo de “Forasteira”: Adversários podem explorar o fato de ela não ter raízes históricas no estado.
    • Divisão da Base: Em uma chapa com o PT/Esquerda, ela precisará calibrar o discurso para não afastar o eleitor de centro-direita que a apoiou em 2022.

Conclusão

Simone Tebet entra na disputa não para ser uma “coadjuvante”, mas para ser a âncora de centro da chapa governista. Sua capacidade de falar com o mercado financeiro da Faria Lima e, ao mesmo tempo, com o eleitorado feminino da periferia, a torna uma peça única. O sucesso dependerá de sua habilidade em manter o selo de “independência técnica” mesmo estando formalmente aliada ao Planalto.

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