Enquanto milhões de brasileiros enfrentam filas em hospitais, escolas sucateadas e transporte precário, Eduardo Bolsonaro é promovido a líder da minoria na Câmara — direto dos Estados Unidos, onde vive desde fevereiro. A manobra, articulada pelo PL, tem um único objetivo: evitar que o deputado perca o mandato por faltas. Desde julho, ele não registra presença nas sessões, e a contagem de ausências pode levá-lo à cassação em 2026.
A solução encontrada? Transformá-lo em um parlamentar remoto, sem obrigação de pisar na Casa de Leis. Um “deputado global”, que atua por videoconferência, marca presença à distância e vota em projetos cruciais — como a anistia aos presos do 8 de Janeiro — sem encarar o plenário, os colegas ou o povo.
UM TAPA NA CARA DO ELEITOR
Essa decisão não é apenas uma afronta às regras do regimento interno, que não prevê mandato à distância. É um tapa na cara do eleitor brasileiro, que votou esperando representação, fiscalização e presença. O que recebe em troca? Um parlamentar que faz lobby contra o próprio país, pedindo sanções dos EUA ao Brasil, enquanto a Câmara o protege com blindagem institucional.
A POLÍTICA VIROU PALCO DE FAVORES
Para salvar Eduardo, Carol de Toni renunciou à liderança da minoria, cedendo o cargo como gesto político. A justificativa? “Eduardo não está longe por vontade própria.” A deputada ainda defendeu sessões online como solução permanente. O Congresso, que deveria ser guardião da democracia, vira palco de conveniências e favores internos.
QUANDO O MANDATO VIRA PRIVILÉGIO
A figura do parlamentar, que deveria ser símbolo de serviço público, se transforma em privilégio pessoal. A Câmara, em vez de cobrar presença, abre exceções, distorce regras e normaliza o absurdo. O resultado? Um mandato exercido por home office, sem prestação de contas, sem transparência, sem respeito ao eleitor.


