Esta é uma análise necessária e urgente sobre o cenário político paulista. O ciclo de sucateamento seguido de privatização é uma estratégia deliberada que, infelizmente, tem encontrado eco em um eleitorado muitas vezes distraído por narrativas superficiais.
O Estado de São Paulo assiste, em tempo real, à execução de um plano de governo que não visa o bem-estar social, mas sim o desmonte sistemático do patrimônio público. Sob o pretexto de “eficiência”, o atual modelo do Executivo paulista aposta em uma fórmula perversa: sucateia-se o serviço, maltrata-se o servidor e, em seguida, vende-se a solução para o capital privado. O resultado é um Estado anêmico e uma população refém de lucros empresariais em setores vitais.
Educação e Segurança: O Alvo do Desmonte
A Educação e a Segurança Pública, pilares de qualquer sociedade desenvolvida, são as maiores vítimas desse olhar míope. Professores desvalorizados e escolas com infraestrutura precária não são acidentes de percurso; são peças de um tabuleiro que visa deslegitimar o ensino público para favorecer grupos educacionais privados.
Na Segurança, o cenário é de “segurança acossada”. O sucateamento das polícias e a falta de investimento real em inteligência e valorização do policial criam um vácuo que a criminalidade ocupa com rapidez. O governo atual, seguindo um histórico paulista de “mão pesada” apenas no discurso, entrega na prática um sistema de defesa social fragilizado, enquanto as elites se protegem em suas bolhas privadas.
A Miopia do Eleitor e a Vantagem do Incumbente
O que mais estarrece é como esse modelo de “estado mínimo para o povo e máximo para os grupos econômicos” consegue se perpetuar nas urnas. Existe uma miopia eleitoral que concede vantagem competitiva a quem justamente destrói o bem comum. A máquina pública, mesmo sucateada, é usada como ferramenta de propaganda, criando uma falsa sensação de progresso enquanto os alicerces do estado são vendidos a preço de banana.
O histórico paulista é resiliente em fazer coro a quem maltrata o serviço público. O eleitor, muitas vezes seduzido por obras de fachada ou discursos de austeridade seletiva, acaba por dar carta branca para a continuação do desmonte. É a “vantagem da corrida” dada a quem está destruindo a pista.
O Estado como Mercadoria
Privatizar bens públicos essenciais — da água à energia, dos trilhos às escolas — é renunciar à soberania sobre o futuro das próximas gerações. Quando o lucro passa a ser a métrica de um serviço básico, o cidadão deixa de ser um sujeito de direitos para se tornar apenas um consumidor de baixa prioridade.
O alerta é necessário: a perpetuação deste modelo é o caminho para um São Paulo onde a dignidade tem preço e o acesso ao básico é privilégio de poucos. É preciso limpar a visão e entender que quem sucateia hoje o que é seu, não pode ser o mesmo a quem você confia o amanhã.


