O sistema prisional brasileiro é um retrato cruel da desigualdade. Centenas de milhares de cidadãos estão amontoados em celas superlotadas, vivendo em condições que mais se aproximam de masmorras medievais do que de espaços destinados à ressocialização. Falta higiene, falta dignidade, falta humanidade.
E, no entanto, quando se trata de figuras públicas, a realidade é outra. Um cidadão que tentou subverter a democracia, que colaborou para a morte de mais de 700 mil pessoas durante a pandemia ao sabotar políticas de saúde, e que tramou contra a própria pátria, encontra-se hoje em situação de luxo e privilégio dentro do sistema prisional.
Essa discrepância não é apenas uma questão de prerrogativas legais: é uma afronta à igualdade e ao princípio de que todos devem responder por seus atos em condições semelhantes. Enquanto o povo pobre e invisível é jogado em depósitos humanos, autoridades e poderosos desfrutam de celas individuais, segurança reforçada e tratamento diferenciado.
O Brasil precisa encarar de frente essa contradição. Não se trata de vingança, mas de justiça verdadeira. A democracia não pode conviver com um sistema penal que legitima privilégios e perpetua discriminações.
Ou todos são iguais perante a lei, ou a lei não serve ao povo.


