ENTREVISTA COM RAFAELA CAMPOS ABRAHÃO| Após assassinato de militar em Washington, política imigratória de Trump endurece: o que muda para brasileiros nos EUA

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Especialista avalia os impactos das novas diretrizes, aumento da fiscalização e riscos para quem vive ou pretende viver no país

A discussão sobre políticas imigratórias mais rígidas nos Estados Unidos voltou ao centro do debate público e tem provocado apreensão entre brasileiros que estudam a possibilidade de trabalhar, estudar ou residir legalmente no país. Para entender o que é fato e o que é ruído político, a advogada Rafaela Campos Abrahão, do Abrahão Advogados, explica que o cenário exige cautela, mas não representa um bloqueio às principais vias de imigração qualificada.

A escalada do discurso sobre “deportações em massa” gera preocupação, mas atinge principalmente imigrantes em situação irregular. Pessoas que entraram sem visto, ultrapassaram prazo de permanência ou aguardam julgamento de asilo de maneira frágil são as mais impactadas.

Já quem está em processo regular, incluindo vistos de trabalho, mérito ou permanência, não deve sofrer mudanças drásticas. Rafaela reforça que, mesmo em cenários mais rigorosos, o governo americano mantém distinção clara entre imigração qualificada e permanência irregular. “Apesar da retórica mais dura, não houveram alterações legais nas categorias EB-1 e EB-2 NIW, duas das rotas mais procuradas por profissionais brasileiros. O que mudou foi a postura avaliativa, e não as regras”, resume.

Análise mais rígida, mas vias qualificadas continuam abertas

As categorias EB-1 e EB-2 NIW seguem regidas pelos mesmos critérios de mérito e relevância profissional. A diferença está na aplicação prática: agentes de imigração têm solicitado mais Requests for Evidence (RFEs), o que amplia a checagem sobre cada candidato.

Para Rafaela, isso não inviabiliza as petições: “O processo está mais criterioso, mas candidatos com histórico sólido e documentação bem organizada continuam com ótimas chances de aprovação.”

A fiscalização também aparece na etapa de chegada ao país. O CBP (Customs and Border Protection) intensificou a checagem na fronteira, avaliando histórico de viagens, vínculos com o Brasil e clareza sobre o propósito da visita.

Vistos de turismo e estudo continuam válidos, mas vêm sendo analisados com maior desconfiança quando há sinais de intenção de permanência irregular. A recomendação da equipe é levar documentos que comprovem laços com o Brasil, responder objetivamente e manter total consistência nas informações.

Asilo e green card por parentesco enfrentam maior seletividade

Se por um lado as categorias de mérito não sofreram revisão, por outro, processos mais sensíveis, como asilo e green card por família, têm sido analisados com mais cautela. A tendência é de prazos mais longos e exigências documentais maiores, principalmente quando há inconsistências no relato ou comprovação insuficiente.

Segundo Rafaela, ainda não há evidência de revisões retroativas de decisões já aprovadas, mas o ambiente é de atenção reforçada.

Checagem tecnológica reforçada: “vetting extremo” deixa erros mais graves

Outra mudança concreta está no uso ampliado de tecnologia. Biometrias, cruzamento de bancos de dados, histórico judicial, redes sociais e verificações automatizadas passaram a ser parte da rotina de análise migratória.

Com isso, qualquer erro cadastral, dado desatualizado ou informação inconsistente pode gerar entraves. A orientação é manter documentação pessoal impecável e, sempre que possível, revisar o dossiê com suporte jurídico antes de iniciar processos mais complexos.

Até o momento, não há evidências de que brasileiros legalizados perderão acesso a carteira de motorista, licenças profissionais ou serviços estaduais. No entanto, estados mais rígidos podem adotar procedimentos adicionais, atrasos ou checagens extras.

O escritório orienta que o imigrante acompanhe as regras locais após obter o visto ou green card para evitar surpresas burocráticas.

Saiba mais sobre o trabalho do escritório Abrahão Advogados: abrahaoadvogados.com.br  | @abrahão.advogados

Fonte: Rafaela Campos Abrahão — Empresária e advogada no escritório Abrahão Advogados | Mestre em Ciências Jurídico Políticas | MBA em Gestão de Negócios.

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