DA REDAÇÃO DO PORTAL GPN
A tragédia em Itumbiara, onde um secretário de governo executou os próprios filhos para “punir” a esposa por uma suposta traição, não é um caso isolado de “loucura”. É o ápice de uma estrutura psicológica e social conhecida como Teoria da Propriedade, manifestada através da Violência Vicária.
Diferente do que muitos pensam, o agressor que comete esse tipo de crime não ama seus filhos acima de tudo. Ele os enxerga como extensões de seu poder e, por consequência, como ferramentas de tortura contra a mulher.
1. O que é a Violência Vicária?
O termo “vicário” refere-se a algo que substitui outra coisa. Na Violência Vicária, o agressor utiliza os filhos para atingir a mãe. Ele entende que matar a mulher seria um fim rápido, mas tirar a vida dos filhos é condenar essa mulher a uma “morte em vida” perpétua. O objetivo não é o extermínio dos filhos por si só, mas a destruição psicológica total da ex-companheira.
2. A Criança como Objeto (Teoria da Propriedade)
Na mente do agressor possessivo, a família é um feudo onde ele exerce soberania absoluta. Sob essa ótica:
- A esposa é um objeto de prazer e serviço.
- Os filhos são objetos de orgulho e legado. Quando o agressor sente que perdeu o controle sobre a esposa (seja por um divórcio ou uma desconfiança), ele decide “destruir o patrimônio” que construíram juntos. A frase escrita pelo assassino de Itumbiara — “meus meninos que infelizmente vieram comigo” — resume essa visão: para ele, os filhos não tinham direito a uma vida independente; eles pertenciam ao destino do pai.
3. O Perfil do “Homem de Bem”
É comum que esses agressores tenham uma imagem pública impecável, como vimos no caso do secretário que era a “pessoa de total confiança” do prefeito. Eles costumam ser:
- Narcisistas e extremamente preocupados com o status social.
- Manipuladores, usando a “dedicação à família” como escudo.
- Incapazes de lidar com a rejeição ou com a quebra da imagem de “família perfeita”.
4. A Carta de Despedida como Manifesto de Controle
Cartas deixadas por esses criminosos raramente demonstram arrependimento real. Elas são manifestos de culpabilização da vítima. Ao culpar a esposa pela morte dos filhos, o agressor tenta exercer o controle final sobre a narrativa, querendo que o mundo — e a própria mãe — acredite que ela é a verdadeira responsável pela tragédia.
EDITORIAL GPN: O FILICÍDIO COMO ARMA DO PATRIARCADO
Precisamos dar o nome correto às coisas: o que aconteceu em Itumbiara foi um ato de terrorismo doméstico. Quando a sociedade e o poder público ignoram os sinais de posse e controle em “homens de bem”, eles se tornam cúmplices silenciosos do próximo infanticídio.
Justiça por Miguel e Benício não é apenas punir o nome de quem já partiu, mas educar para que os filhos sejam vistos como sujeitos de direitos, e não como propriedades de pais narcisistas. A proteção à mulher é, intrinsecamente, a proteção à criança.
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