O que deveria ser uma ação de assistência social transformou-se em um dos maiores vexames administrativos do ano. A tentativa do governo municipal de usar a entrega de cestas básicas como peça de propaganda de fim de ano terminou em um fracasso retumbante — com repercussão negativa, desorganização e suspeitas graves.
Nos bastidores, o clima é de crise absoluta. Fontes internas confirmam que o próprio prefeito, em reunião no gabinete, resumiu o episódio em uma palavra: “tragédia”. O reconhecimento não se limita ao desgaste público, mas revela o colapso de uma política social que, ao longo de todo o ano, falhou em apresentar resultados mínimos. A SEDES acumula ineficiência, descrédito e desgaste político. Diante desse cenário, a expectativa interna é clara: responsabilizações são inevitáveis.
O setor social, que deveria ser prioridade, tornou-se um dos maiores passivos do governo. E a crise se aprofunda com uma denúncia ainda mais grave: há suspeita do desaparecimento de cerca de 15 mil cestas básicas durante o processo de distribuição. Segundo fontes ligadas ao próprio governo, o descontrole teria começado na região da Orla. A informação, inicialmente tratada como bastidor, foi confirmada por mais de uma fonte independente. Diante disso, o silêncio oficial deixa de ser prudência e passa a ser inaceitável.
As perguntas são diretas e exigem respostas imediatas:
Se foram compradas 60 mil cestas, por que faltaram?
Por que a entrega foi interrompida?
O fornecedor cumpriu integralmente o contrato?
Há falha logística, pendência contratual ou algo mais grave?
O município pretende adquirir novas cestas para cobrir o déficit? Como e com quais recursos?
Diante da gravidade dos fatos, caberá à oposição cumprir seu papel constitucional: fiscalizar, acionar os órgãos de controle, solicitar informações formais, analisar contratos e cobrar providências do Ministério Público.
O episódio expõe uma escolha política desastrosa: governar com um “quinto escalão”, afastando quadros técnicos experientes, substituindo planejamento por improviso e tratando políticas públicas como marketing. O resultado está à vista: um governo que transforma assistência social em crise institucional.


