
A brasileira Marina Lacerda, hoje com 37 anos, falou pela primeira vez em público sobre os abusos que sofreu aos 14 anos pelas mãos do bilionário americano Jeffrey Epstein — um dos casos mais abomináveis de exploração sexual de menores já registrados nos Estados Unidos. Marina, identificada nos processos como “vítima-menor 1”, revelou em entrevista coletiva em frente ao Capitólio, em Washington, que foi aliciada para prestar serviços de massagem, mas acabou sendo forçada a manter relações sexuais com Epstein.
O relato é devastador. Marina vivia em um lar desestruturado em Nova York quando foi atraída por promessas de dinheiro fácil. Epstein, segundo ela, usava as sessões de massagem como fachada para abusos sistemáticos. “Tudo começa em algum lugar, mas depois acaba com você fazendo sexo com ele, quer queira ou não”, disse Marina, que agora se junta a outras vítimas em um movimento que exige a divulgação completa dos documentos do caso.

Relações políticas sob suspeita
O caso Epstein não se limita à brutalidade dos crimes sexuais. Ele escancara também as relações impuras entre poder econômico, político e impunidade. Epstein foi amigo íntimo do ex-presidente Donald Trump por quase 15 anos. Os dois frequentavam festas, jantares e até viajavam juntos em jatos particulares. Registros mostram que ambos mantinham propriedades em Palm Beach, na Flórida, e conviviam em ambientes como o clube Mar-a-Lago, de Trump.
Apesar da pressão das vítimas e da sociedade civil, o governo Trump e a bancada republicana têm resistido à divulgação dos documentos não confidenciais do processo. A justificativa oficial é de que “não trariam revelações novas ou significativas” — uma posição que gerou revolta entre as vítimas e ativistas, que acusam o governo de tentar abafar conexões embaraçosas.
Justiça tardia e silêncio institucional
Epstein foi preso em 2019, após uma nova rodada de investigações. Marina prestou depoimento considerado crucial para sua detenção. No entanto, o bilionário se suicidou na prisão antes do julgamento, encerrando o processo sem condenação formal. Desde então, milhares de páginas de documentos foram mantidas sob sigilo pelo Departamento de Justiça, alimentando teorias de conspiração e suspeitas de acobertamento.
A brasileira, que agora luta por justiça e transparência, afirma que o silêncio institucional é tão violento quanto os abusos que sofreu. “As pessoas que importam neste país finalmente se preocupam com o que as vítimas têm a dizer”, declarou Marina, ao lado de outras mulheres que exigem que o Congresso americano revele todos os registros do caso.
Um caso que não pode ser esquecido

O caso Epstein é um retrato cruel de como o poder pode ser usado para explorar, silenciar e proteger criminosos. Marina Lacerda rompeu o silêncio — e com isso, reacendeu o debate sobre a responsabilidade das autoridades, a impunidade das elites e a urgência de proteger crianças e adolescentes de redes de abuso.
A verdade precisa vir à tona. E os laços entre Epstein e figuras políticas influentes, como Donald Trump, devem ser investigados com rigor. Porque quando a justiça falha, é a dignidade humana que paga o preço.
Com Folha de S. Pauio


