Brasileiros tem cada vez mais buscado empreender nos EUA

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Especialista explica desafios e motivações que levam tantas pessoas a abrir seus negócios fora do Brasil

Empreender, por si só, já é um desafio. E fazer isso no exterior se torna ainda mais complexo. Porém muitos brasileiros tem optado por abrir seus negócios fora do país, principalmente nos Estados Unidos, uma das maiores economias do mundo.

De acordo com um levantamento feito pela AG Immigration, houve um aumento de 14,9% na procura por serviços imigratórios nos EUA em 2024. Já outro dado, da Confederação Nacional da Industria (CNI), mostra que os investimentos diretos do Brasil nos EUA somaram US$ 22,1 bilhões em 2024, um aumento de 52,3% em dez anos.

Mas por que tantos brasileiros tem buscado empreender no exterior, principalmente nos EUA? De acordo com Gustavo Didier, especialista em negócios, empreendedorismo, CEO e fundador da Unio Inc Brasil, o atual cenário econômico brasileiro tem impulsionado a busca por expansão internacional. “Estamos passando por um período muito ruim no Brasil. A taxa de juros nos níveis atuais é extremamente prejudicial. Os Estados Unidos são um país de oportunidades, porém o jogo é de longo prazo, não é uma corrida de 100 metros, mas sim uma maratona. Reputação, constância e inovação são fundamentais”, explica.

Segundo o especialista, uma das dificuldades está em romper com expectativas irreais sobre o mercado americano. “O maior desafio do empreendedor brasileiro que deseja investir fora do país é a falta de conhecimento e a diferença cultural. Muitos acreditam que as coisas nos Estados Unidos funcionam da mesma forma que no Brasil, mas não é assim. Aqui é preciso seguir as regras à risca e entender que não existe um cenário de mil maravilhas”, afirma.

De acordo com Gustavo, outro fator relevante é a barreira do idioma que, segundo ele, não pode mais ser ignorada. “No passado, o inglês era um diferencial. Hoje, é obrigatório! Quem deseja vir para os Estados Unidos precisa aprender a falar inglês, e não há como fugir disso. Não importa se alguém fala com sotaque, e sim se consegue se comunicar bem e fazer com que as pessoas entendam a mensagem. Falar não é apenas emitir voz, envolve postura, comportamento, entonação e presença. Se você não está disposto a aprender inglês, então não está preparado para empreender nos Estados Unidos”, diz.

Outra questão para quem deseja empreender no país é com relação à legislação e às normas locais, o especialista reforça a necessidade de atenção redobrada. “Aqui tudo é muito diferente. As taxas e os impostos são altos e, se você não paga, pode ser preso”, alerta.

Ele relata casos reais envolvendo brasileiros desinformados. “Eu conheço famílias que, por causa de uma única palavra em um contrato, tiveram problemas sérios. Usaram o termo investor quando deveria ter sido shareholder, e hoje pai, mãe e filho estão presos. Quando você coloca ‘investidor’ sem possuir a licença exigida, acaba sofrendo consequências que podem incluir prisão”, detalha.

As diferenças culturais também influenciam na forma de negociar e construir oportunidades. “Acredito que esse ponto é uma via de mão dupla. Aqui, muitas pessoas tendem a pensar de forma limitada, dentro da caixa, enquanto o brasileiro possui grande sofisticação e criatividade, muito em razão das dificuldades que o país apresenta”, comenta Gustavo.

Outro ponto que costuma gerar dúvidas, segundo Didier, é a questão do visto e da permissão para empreender. Ele esclarece que o processo pode ser menos burocrático do que muitos imaginam. “Qualquer brasileiro pode ser sócio de uma empresa americana e nem precisa de visto para isso. Porém, eu aconselho estar próximo de bons advogados. Esse é um ponto em que não se deve economizar, porque as normas nos Estados Unidos são rígidas e, se você fizer qualquer coisa de forma incorreta, corre o risco de enfrentar consequências graves”, comenta.

Sobre os custos para abrir uma empresa, Gustavo explica que a comparação depende da perspectiva. “Se fizermos a conversão direta, acaba dando praticamente na mesma. Porém, ao considerar apenas o custo local, abrir uma empresa aqui custa o equivalente a cerca de R$ 500 no Brasil, enquanto no Brasil você paga aproximadamente um salário mínimo. Portanto, de forma relativa, abrir uma empresa nos Estados Unidos é muito mais barato”, explica.

Gustavo comenta que o networking é outro pilar essencial para prosperar em solo estrangeiro. Segundo ele, é preciso ter coragem e não ter medo de se expor. “Todos erramos e às vezes nos queimamos com algumas pessoas, mas o mais importante é persistir. Meu networking começou com brasileiros, que me apresentaram a outros brasileiros, depois a americanos e a pessoas de diversos países. Na Flórida há gente do mundo inteiro. O caminho é se expor, criar conexões e não ter medo”, conclui

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