Em uma decisão que causou indignação entre setores da sociedade, a Câmara Municipal de Marília rejeitou a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Vinícius Camarinha (PSDB), ignorando denúncias sérias que envolvem residência fora do município, exercício ilegal da advocacia e uso de aeronave de alto valor.
Dos 17 vereadores, apenas um — Luiz Eduardo Nardi (Cidadania) — votou a favor da investigação. Os demais, mesmo diante de indícios que mereciam apuração, optaram por arquivar o pedido sem sequer abrir espaço para coleta de provas ou esclarecimentos públicos.
Omissão que protege, não esclarece
A decisão levanta uma questão fundamental: por que temer uma investigação que, se provar a inocência do prefeito, serviria como atestado de conduta ilibada? Ao barrar a CP, os vereadores não apenas frustram o direito da população à transparência, como também alimentam suspeitas de blindagem política e corporativismo institucional.
A denúncia, protocolada por um ex-assessor do governo anterior, pedia acesso a documentos da Anac, Receita Federal e OAB, além de esclarecimentos sobre a residência oficial do prefeito e o uso de uma aeronave avaliada em R$ 5 milhões. Nada disso será apurado — por decisão da própria Câmara.
Silêncio que fala alto
O prefeito, que está em viagem oficial ao Japão, não se manifestou sobre o caso até o momento. Já os vereadores que rejeitaram a investigação também não apresentaram justificativas públicas convincentes. A ausência de debate e a rapidez da votação reforçam a percepção de que a política local prefere o silêncio à verdade.
Em tempos em que a sociedade exige ética, transparência e responsabilidade, negar a apuração de denúncias é negar o próprio papel do Legislativo. E quando a inocência não é sequer investigada, o que sobra é a dúvida — e o descrédito.


