Caminhoneiros de diferentes regiões do país voltaram a alertar o governo federal sobre a possibilidade de uma paralisação nacional nos próximos dias, em meio à alta do preço do diesel provocada pelos impactos da guerra no Oriente Médio. A categoria avalia que as medidas anunciadas para conter o custo do combustível não tiveram efeito.
Nesta segunda-feira (16), lideranças do setor indicaram apoio à mobilização após uma assembleia realizada no Porto de Santos, em São Paulo. Ainda não há uma data definida, mas parte dos participantes defende que o movimento comece já nesta semana. A articulação reúne tanto caminhoneiros autônomos quanto profissionais que atuam para empresas de transporte.
Na semana passada, o governo anunciou um conjunto de medidas para reduzir o impacto do preço do combustível, em meio às consequências da guerra no Oriente Médio. Entre as ações, estão a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel, a criação de uma subvenção para baratear o valor nas bombas e mudanças na fiscalização dos preços.
Em seguida, porém, a Petrobras promoveu um reajuste no diesel, o que, segundo os caminhoneiros, reduziu o alcance das medidas.
A categoria também afirma que parte do benefício não chegou ao consumidor final, ficando retida na cadeia de distribuição, e critica a fiscalização. Para os motoristas, o modelo adotado pelo governo ainda não apresentou resultados concretos.
A avaliação de que parte da redução não chega ao consumidor final também foi formalizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), que solicitou ao governo o acompanhamento e a fiscalização de possíveis práticas especulativas na cadeia de comercialização do diesel.
“Se a Petrobras, como nós somos autossustentável, tivesse o poder de atuar no mercado na distribuição, regularizaria o preço. Né? Não houve aumento. Quem quer subir pode subir. O mercado é livre, né? Cada um bota o preço que quiser. Mas se todos sobem é cartel. É crime contra a economia popular e o governo tem que agir”, destacou Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL
Segundo a entidade, têm sido identificados aumentos no preço do combustível no mercado interno mesmo sem reajuste oficial por parte da Petrobras, o que, na avaliação da confederação, indica a necessidade de apurar se há elevação indevida nas etapas de distribuição e revenda. A CNTTL afirma que essas variações podem estar sendo motivadas por expectativas do mercado diante das tensões no Oriente Médio, e alerta para possíveis impactos à economia popular.
Medidas e pautas
O descontentamento reflete a alta contínua dos custos do transporte e a falta de medidas estruturais que tragam previsibilidade ao setor. Entre as principais reivindicações estão a redução coordenada do ICMS pelos estados, o reforço na fiscalização dos preços e a revisão das tarifas de pedágio. A CNTTL também reforça que nenhum documento de transporte deve ser emitido abaixo do piso mínimo, garantindo que os caminhoneiros recebam pelo menos o valor estabelecido por lei.
Outra pauta central é a aposentadoria especial para caminhoneiros, cuja proposta já está para votação na Comissão de Seguridade Social e Família. A CNTTL explica que a inclusão da categoria na medida foi intermediada pela deputada Érica Kokai (PT-DF), e que é necessário um compromisso político do governo para apoiar a aprovação e evitar que alterações legislativas ou veto presidencial retirem os caminhoneiros do texto.
Apesar das críticas, representantes da categoria dizem que ainda há espaço para negociação. Lideranças mantêm conversas com integrantes do governo, incluindo a Casa Civil, na tentativa de evitar uma paralisação.
Fonte: ICL Notícias


