Em uma medida que vem gerando forte reação nos bastidores da assistência social, o governo Vinícius Camarinha propôs mudanças na jornada de trabalho dos conselheiros tutelares de Marília — e o que parece uma simples reorganização administrativa esconde um projeto de vigilância e punição sobre profissionais que prestam serviços essenciais à população.
A proposta, apresentada pela Prefeitura, prevê a implantação de controle eletrônico de ponto, com registro de entrada e saída, além de regras mais rígidas sobre presença física e cumprimento de horários. Na prática, conselheiros que atuam em campo, em situações emergenciais e muitas vezes fora do expediente, terão sua autonomia comprometida por um sistema que ignora a natureza dinâmica e humanitária da função.
A medida é vista por muitos como uma tentativa de cercear o trabalho dos conselheiros, que historicamente atuam com independência para proteger crianças e adolescentes em situação de risco. Ao transformar a atuação em uma rotina burocrática e sujeita a punições administrativas, o governo municipal sinaliza um radicalismo de controle que pode comprometer a eficácia do serviço.
Enquanto os conselheiros enfrentam casos de violência, abandono, negligência e urgência social, a gestão municipal parece mais preocupada em vigiar do que em apoiar. A proposta levanta um alerta: estamos diante de um retrocesso institucional, onde o foco deixa de ser a proteção da infância e passa a ser o controle sobre quem a defende.
A sociedade civil, os movimentos sociais e os próprios conselheiros já se articulam para resistir. Porque em Marília, quem protege não pode ser punido — e quem governa precisa entender que controle não é sinônimo de cuidado.


