COLUNA FAMILIA TEA BAURU| Atuação da Fisioterapia no Transtorno do Espectro Autista, por Ana Michele N.V.T. de Carvalho

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Embora historicamente o TEA tenha sido abordado predominantemente sob a perspectiva comportamental, nas últimas décadas emergiu um corpo substancial de evidências apontando que crianças com TEA apresentam, também, alterações motoras significativas. Estudos demonstram que entre 60% e 90% dessas crianças exibem algum grau de disfunção motora, incluindo atrasos nos marcos motores, dificuldades de equilíbrio, déficits de coordenação, dispraxia e padrões atípicos de marcha (Fournier et al., 2010; West, 2019). Além disso, muitas apresentam alterações sensoriais que influenciam diretamente a organização do movimento, modulação da atenção e engajamento em tarefas funcionais.

Considerando que o movimento é um pilar do desenvolvimento infantil, tais déficits podem comprometer a participação em atividades de vida diária, interações sociais, brincadeiras e escolarização. Diante disso, a fisioterapia pediátrica emerge como uma intervenção fundamental, promovendo aquisições motoras, prevenindo compensações, ampliando repertórios de movimento e favorecendo autonomia funcional.

A fisioterapia atua por meio de estratégias baseadas em tarefas, treino motor intensivo, abordagens sensório-motoras, fortalecimento, intervenções voltadas ao equilíbrio e uso de tecnologia assistiva — incluindo órteses e adaptações posturais. A integração dessas estratégias permite que a intervenção seja individualizada, considerando não apenas as necessidades motoras, mas também sensoriais e ambientais da criança.

A fisioterapia é fundamental no TEA, tanto para manejo das alterações motoras quanto para promoção da participação — um dos pilares do desenvolvimento humano.

Fisioterapeuta Ana Michele N.V.T. de Carvalho

Formada há 19 anos pela UENP, Sócia da Clinica Atlas, Fisioterapeuta da Equipe de Reabilitação Especializada em TEA – Sorri Bauru, Pós Graduada em fisioterapia Neurofuncional Adulto e Pediátrico,Formada no Conceito Neuroevolutivo Bobath, Formada no primeiro modulo de Integração Sensorial, Formada no Snoezelen, Formada no Protocolo Pediasuit, Formada em aplicadora ABA no autismo.

Convido vocês a seguirem a página do Família Tea Bauru (@familiateabauru) e a página da @anamifisio @atlascentrodefisioterapia onde atuo profissionalmente.

REFERÊNCIAS

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed. Washington, DC: APA; 2013.

Fournier, K. A., Hass, C. J., Naik, S. K., Lodha, N., & Cauraugh, J. H. Motor coordination in autism spectrum disorders: A synthesis and meta-analysis. Journal of Autism and Developmental Disorders, 2010; 40(10), 1227–1240.

Maenner, M. J., Shaw, K. A., Bakian, A. V., et al. Prevalence and characteristics of autism spectrum disorder among children aged 8 years — Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, 11 Sites, United States. MMWR Surveillance Summaries, 2023; 72(2), 1–12.

West, K. Motor impairment in autism spectrum disorders: A review of neuropsychological evidence. Developmental Medicine & Child Neurology, 2019; 61(2), 134–142.

Ming, X., Brimacombe, M., & Wagner, G. Prevalence of motor impairment in autism spectrum disorders. Brain & Development, 2007; 29(9), 565–570.

Bhat, A. N. Motor impairment increases in children with autism spectrum disorder as a function of social-communication severity. Frontiers in Integrative Neuroscience, 2021; 15, 734913.

Baranek, G. T. Efficacy of sensory and motor interventions for children with autism. Journal of Autism and Developmental Disorders, 2002; 32(5), 397–422.

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