[Coluna Família TEA] O impacto do diagnóstico de autismo: o luto da idealização e a jornada da ressignificação, por Carolina Bulbov Evangelista

Compartilhe:
  • Carolina Bulbov Evangelista

Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) é, para muitos pais, um momento de ruptura emocional. Embora o diagnóstico seja um passo importante para garantir os cuidados necessários, ele também pode provocar um luto simbólico, silencioso, mas profundo. Desde a gestação, os pais criam expectativas sobre o desenvolvimento dos filhos. Imaginam falas, comportamentos, autonomia, interações sociais. Quando o diagnóstico chega, essas projeções são abaladas, e inicia-se uma vivência de perda da imagem idealizada. Na psicologia, esse processo é compreendido como luto simbólico. Não se perde o filho real, mas sim o filho imaginado. Sentimentos como tristeza, culpa, medo e raiva são comuns, e válidos. Permitir-se vivê-los é parte essencial do processo de aceitação.

Como enfrentar esse luto e ressignificar o diagnóstico:

  • Busque informação de fontes confiáveis. Conhecer o espectro autista com profundidade reduz o medo do desconhecido.
  • Permita-se sentir. Negar a dor só prolonga o sofrimento. Validar as emoções é parte do caminho.
  • Busque suporte psicológico. A psicoterapia pode auxiliar na reorganização emocional dos pais e no fortalecimento dos vínculos familiares.
  • Conecte-se com outras famílias. Compartilhar vivências com quem já passou pelo diagnóstico pode trazer acolhimento e esperança.
  • Valorize cada conquista. No lugar de expectativas fixas, aprenda a reconhecer o desenvolvimento único de seu filho, no tempo dele.
  • Pratique o autocuidado. Pais que se cuidam emocionalmente têm mais recursos para cuidar com presença e equilíbrio.

Com o tempo, os pais começam a enxergar o filho para além do diagnóstico: percebem suas potências, formas únicas de expressão e conexão. É aí que a dor começa a dar lugar à ressignificação, e o amor se fortalece, mais consciente.

O diagnóstico não encerra possibilidades; ele abre um novo caminho. E, nele, é possível caminhar com acolhimento, respeito e amor real. Ao grupo Família TEA Bauru, deixo meu profundo agradecimento. Foi através dessa comunidade que recebi apoio, acolhimento e orientação que tornaram esse processo mais leve. Hoje, fazer parte do projeto como voluntária me faz feliz, pois posso retribuir com carinho o mesmo afeto que recebi.

Carolina Bulbov Evangelista
Mãe do Benício, autista nível 1 de suporte. Psicóloga clínica há 8 anos, especializada em ABA, pós-graduanda em Neuropsicologia, voluntária na defesa contra a violência à mulher e no grupo Família TEA Bauru.

REDES – CONTATO:
Instagram: @psicarolinabulbov e @familiateabauru
Site: carolinabulbovpsicologa.com

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web