COLUNISTAS GPN| Redes sociais: a futilidade do “eu” e a sociedade do ego, por Marco Aurélio Zaparolli

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As redes sociais se tornaram o palco mais visível da contemporaneidade. Nelas, o “eu” é constantemente exposto, editado e exagerado, criando uma sociedade marcada pela ostentação e pela busca incessante de validação. O que deveria ser espaço de conexão e diálogo transformou-se em vitrine de futilidades, onde a aparência vale mais que a essência.

O fenômeno da autopromoção digital alimenta uma cultura de narcisismo coletivo. Likes e seguidores substituem reconhecimento real, e a vida passa a ser medida por métricas artificiais. O resultado é uma sociedade do ego, em que cada indivíduo se vê obrigado a performar uma versão idealizada de si mesmo, sufocando autenticidade e fragilizando relações humanas.

A ostentação é o combustível desse sistema. Viagens, carros, roupas e corpos são exibidos como troféus, reforçando desigualdades e criando ilusões de sucesso. A lógica é cruel: quem não ostenta, desaparece; quem não exagera, é invisível. Essa dinâmica gera frustração, ansiedade e um ciclo interminável de comparação.

Do ponto de vista crítico, as redes sociais não apenas refletem, mas amplificam a cultura consumista e individualista. O “eu” digital é construído para impressionar, não para dialogar. O espaço público se dissolve em selfies, e o debate se perde em filtros.

A sociedade do ego é, portanto, uma construção coletiva que ameaça a saúde mental e a convivência social. Ao transformar indivíduos em marcas e vidas em vitrines, as redes sociais corroem a noção de comunidade e reforçam a lógica da futilidade.

Se não houver consciência crítica, continuaremos prisioneiros de um espetáculo vazio, em que o “eu” é rei e a empatia é súdita esquecida.

Marco Aurélio Zaparolli, jornalista, CEO do Grupo Portal de Noticias, obseervador do mundo e ativista de direitos humanos.

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