Elaine Castelo Branco*

Ter TDAH é como tentar ler um livro enquanto alguém liga e desliga a televisão, envia mensagens, toca campainha e, de repente, você lembra que tinha uma reunião… que já acabou.
No meu mundo, começar a lavar a louça pode significar terminar organizando os livros por cor, redecorando a estante e, claro, esquecendo a louça na pia.
Cada ideia que passa pela minha cabeça é um foguete: algumas explodem, outras desaparecem antes mesmo de eu lembrar delas.
Mas sabe o melhor? Entre distrações, esquecimentos e correria mental, surgem insights que ninguém mais teria.
O TDAH me faz rir de mim mesmo – e de todos os meus planos que nunca terminam. Porque no fundo, a vida com TDAH é isso: uma bagunça divertida, uma pipoca queimada, e um cérebro que nunca para… nem para pedir desculpas.
E o detalhe final: no meio desse caos todo, eu juro que sempre encontro minhas chaves.
Só que, geralmente, são as chaves de ontem.
Elaine Castelo Branco*
Promotora de Justiça, atuando na defesa de direitos constitucionais, fundamentais e direitos humanos em Belém. Escritora e palestrante motivacional, Elaine é especialista em liderança e em múltiplas intervenções no Transtorno do Espectro Autista (TEA), combinando experiência jurídica e social para inspirar e transformar vidas.
Voluntária de Lions Internacional


