Com caixa no vermelho, DF vê dificuldades para salvar o BRB sem ajuda da União

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O governo do Distrito Federal (DF) encerrou 2025 com um déficit de cerca de R$ 1 bilhão em caixa, situação que compromete a capacidade de capitalizar o BRB (Banco de Brasília), instituição estatal sob controle local. O banco enfrenta perdas decorrentes de operações com o Banco Master, atualmente investigadas pela Polícia Federal por suspeita de fraude.

A falta de recursos coloca o governador Ibaneis Rocha (MDB) em um dilema político: pedir socorro ao governo do presidente Lula (PT) poderia inviabilizar sua tentativa de concorrer ao Senado. Além disso, a operação depende de autorização do Ministério da Fazenda para oferecer garantias federais, o que ainda não ocorreu.

Dados do próprio DF mostram que, no fim de 2025, os recursos livres estavam negativos em R$ 876,6 milhões, enquanto o regime próprio de Previdência enfrentava déficit de R$ 143,6 milhões. Os recursos vinculados, embora positivos em R$ 1,59 bilhão, não podem ser utilizados para cobrir o rombo.

Isso significa que o governo assumiu obrigações superiores ao dinheiro disponível, somando ainda despesas de exercícios anteriores, que ultrapassam R$ 1 bilhão desde 2023.

Atrasos em repasses e fragilidade política

Apesar de receber repasses bilionários da União via Fundo Constitucional do DF — R$ 25,7 bilhões em 2025 e previsão de mais de R$ 28 bilhões para 2026 —, o Distrito Federal tem enfrentado atrasos em pagamentos a hospitais, afetando leitos e fornecimento de insumos.

O cenário evidencia que a estratégia política do governador, de adiar pedidos de ajuda à União, tem agravado a liquidez do BRB. Estimativas do Banco Central apontam que o banco precisaria de até R$ 5 bilhões para cobrir perdas do caso Master, valor que pode subir segundo outros bancos. A nova versão do projeto de lei do DF prevê limite de R$ 6,6 bilhões para operações de crédito.

Alternativas estudadas pelo governo

O governo do DF avalia alternativas como o uso de imóveis públicos para garantir empréstimos ou capitalizar o BRB, mas especialistas alertam que ativos menos líquidos não geram recursos imediatos e enfrentam resistências políticas.

Outra possibilidade é a venda de carteiras de crédito do BRB, operação que poderia trazer fôlego temporário, mas com perda de receita futura e seleção de carteiras de melhor qualidade por bancos compradores.

O secretário do Tesouro Nacional e presidente do conselho da Caixa Econômica Federal, Rogério Ceron, disse que ainda não há decisão sobre socorro federal ao BRB, mas reconheceu acompanhamento do caso e análise de oportunidades de negócio, sem descartar a venda de carteiras.





Fonte: ICL Notícias

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