Depois de enfrentar perdas, vícios e viver nas ruas, empreendedor reconstruiu sua vida e hoje é um dos franqueados com maior número de contratos na rede Emive Franchising, especializada em segurança eletrônica
Não é exagero dizer que Urbano Cohen é um daqueles casos raros que inspiram qualquer um — seja empreendedor ou não. De um início marcado por perdas familiares, dificuldades financeiras e noites dormindo nas ruas do Rio de Janeiro, ele passou a integrar a linha de frente de uma das redes de franquias que mais crescem no país: a Emive Franchising, especializada em segurança eletrônica.
Hoje, seu faturamento mensal ultrapassa os R$ 58.000,00, reflexo direto da sua disciplina, coragem e da capacidade de transformar desafios em motivação.
“Há dois anos, eu estava dormindo na rua. Hoje, sou um dos franqueados com maior número de contratos na rede”, resume Urbano, com voz firme de quem tem orgulho da própria trajetória. E ele tem motivos de sobra para isso.
Raízes de um vendedor
Natural de São José dos Campos (SP), Urbano cresceu vendo a força de sua mãe, que vendia de tudo em comunidades — até mesmo ouro e cigarros — para garantir o sustento da casa. Ali, ainda menino, aprendeu que vendas eram um caminho possível. Seu pai, militar, foi outro pilar: “Ele foi meu herói. E antes de falecer, me deu a missão de cuidar da família e sair do vício”, conta.
A perda do pai foi o primeiro baque. A tentativa de reerguer-se com uma pizzaria fracassou. Com dívidas e o emocional em ruínas, Urbano deixou São José dos Campos apenas com a roupa do corpo e R$ 17 no bolso, rumo ao Rio de Janeiro.
O ponto de virada
No Rio, o empreendedor em potencial encontrou nas flores a primeira chance de retomada. Vendeu na praia, dormiu em albergues, sangrou os pés na areia quente e foi notado pela generosidade alheia — de um cliente que lhe deu R$ 500 para não dormir na rua até uma senhora da comunidade, dona Fatinha, que virou sua primeira “influenciadora” local.
Com pouco, ele montou um bar improvisado na favela. “Comecei vendendo cerveja e torresmo com uma fritadeira de R$ 150. Lucrava rápido, porque não pagava água, luz nem internet. Aprendi a transformar o mínimo em algo rentável”, relembra. Mas o desejo de reencontrar a filha com síndrome de Down, a mãe e o sobrinho — que ele considera como filho — o trouxe de volta a São José.
O encontro com a franquia
Foi ao criar um perfil no LinkedIn que Urbano foi encontrado pela Emive. Sem conhecer o setor de franquias, ele viu na proposta uma nova chance de construir um negócio legítimo. Faltava metade do investimento inicial — e foi a mãe da sua filha, sua melhor amiga, quem emprestou o valor restante. “Ficamos com um real na conta. Mas não hesitei”, diz.
Durante o treinamento na sede da franqueadora, Urbano enfrentou mais um desafio: colegas com currículos robustos e ampla experiência o fizeram duvidar de si. Mas o foco e a disciplina falaram mais alto. Sem rede de contatos nem público quente, decidiu bater de porta em porta — o chamado PAP (porta a porta) — e criou uma metodologia própria baseada em recomendações estratégicas.
Resultado que veio da rua
Em apenas nove meses, passou a figurar entre os franqueados com maior número de contratos da rede. Hoje, fatura cerca de R$ 58.000,00 por mês com a operação em São José dos Campos — marca expressiva para alguém que começou sem capital, sem rede de apoio e sem experiência no setor.
“Eu não sou o mais talentoso, mas sou disciplinado. Trabalho todos os dias, de manhã até a noite, e trato cada cliente como prioridade”, afirma.
Mais que negócios
Para Urbano, o sucesso é mais que financeiro: “Meu objetivo para 2025 é comprar a casa da minha mãe. E dar à minha filha a vida que ela merece”. Seu propósito maior é mostrar que recomeçar é possível, desde que haja coragem e persistência.
“Se eu recomecei com R$ 17 no bolso, qualquer um pode. A rua me ensinou que o extraordinário está em quem não desiste.”
| Andreza Oliveira andreza.oliveira@tamer.com.br www.tamer.com.br |


