Foto/Arte: Vereador André Rodini que ironizou as pessoas pobres e uma criança em situação de pobreza vasculhando lixo para comer

Comentário “pobre fazendo pobrice” em grupo de WhatsApp motiva pedido de investigação na Câmara; parlamentar alega “meme tirado de contexto”, enquanto ex-assessor denuncia retaliação.
RIBEIRÃO PRETO/SP – A Câmara Municipal de Ribeirão Preto inicia o ano legislativo sob o peso de uma grave acusação de quebra de decoro parlamentar. O vereador André Rodini (Novo) foi formalmente denunciado após o vazamento de prints de uma conversa em um grupo de mensagens, onde utilizou termos considerados discriminatórios contra a população de baixa renda. O episódio, que ocorreu em meio às celebrações dos 125 anos do Mercadão da cidade, gerou uma onda de indignação e um pedido de cassação de mandato. A leitura do requerimento de instalação de pedido de cassação será feita na volta das sessões do legislativo ribeirão-pretano neste dia 2/2.
A Frase do Conflito: “Pobre fazendo pobrice”
A denúncia foi protocolada por Alexandre Meirelles Nogueira Ribeiro, ex-assessor e ex-chefe de gabinete do vereador. Segundo o documento, ao ser informado sobre o evento festivo no Mercadão, Rodini teria respondido com a seguinte indagação: “Vai ter pobre fazendo pobrice lá pegando bolo com balde?”.
Para o denunciante, a fala não é um fato isolado, mas uma demonstração de preconceito de classe incompatível com o cargo público. Alexandre afirma ainda que, após confrontar o vereador sobre o teor da mensagem, foi exonerado do cargo, o que classificou como uma “clara retaliação” ao seu posicionamento ético.
A Defesa: “Meme e Oportunismo Político”
Em sua defesa, o vereador André Rodini nega qualquer intenção discriminatória. Ele sustenta que a frase é um “meme de internet” e que a conversa foi tirada de contexto. Segundo o parlamentar, a equipe comentava vídeos virais de festas onde pessoas utilizam baldes para pegar bolo, e a mensagem seria uma “brincadeira interna”.
Rodini também rebate a acusação de retaliação, afirmando que a exoneração do assessor deveu-se a problemas de desempenho e descumprimento de horários de trabalho. “Por ser ano eleitoral, em cima de um oportunismo político, ele entrou com esse pedido”, declarou o vereador, lamentando o que chamou de narrativa fora de contexto.
O Trâmite na Câmara
A Câmara Municipal confirmou o recebimento do protocolo nº 27510/2026. Seguindo o Regimento Interno, os próximos passos são:
- Leitura em Sessão: O pedido será lido na primeira sessão ordinária, marcada para 2 de fevereiro.
- Votação de Admissibilidade: O plenário decidirá, por votação, se a denúncia deve ser aceita.
- Comissão Processante: Caso aprovada, será sorteada uma comissão para apurar os fatos, garantindo o direito à ampla defesa do vereador.
Versões em Conflito
| Ponto de Vista | Alegação do Ex-Assessor (Denunciante) | Defesa do Vereador André Rodini |
| Natureza da Fala | Comentário discriminatório e elitista contra o povo. | “Meme” de internet e brincadeira interna de gabinete. |
| Motivo da Exoneração | Retaliação por ter confrontado o vereador eticamente. | Ineficiência no cumprimento de horários e jornada. |
| Expectativa | Punição por quebra de decoro parlamentar. | Arquivamento por falta de contexto e oportunismo eleitoral. |
O caso de Ribeirão Preto toca em uma ferida sensível da política brasileira: a desconexão entre representantes e representados. Independentemente de ser um “meme”, o uso de termos que pejoram a condição social da população por um agente público abre margem para um rigoroso escrutínio ético. O Conselho de Ética terá o desafio de separar a liberdade de expressão em ambientes privados da responsabilidade pública que o cargo de vereador exige 24 horas por dia.


