Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque foi demitido oficialmente após investigações confirmarem atendimentos fraudulentos em hospitais do Ceará e Rio Grande do Norte.
FORTALEZA – A trajetória do soldado Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque na Polícia Militar do Ceará (PMCE) chegou ao fim de forma desonrosa. Nesta segunda-feira (19), o Diário Oficial do Estado (DOE) publicou a demissão definitiva do militar, encerrando um processo administrativo disciplinar que durou cerca de três anos. A expulsão é o desfecho de um crime que chocou a opinião pública em 2022: o exercício ilegal da medicina por um agente que deveria zelar pela lei.
O Flagrante em Paraipaba
O caso que desencadeou a investigação ocorreu no Hospital Municipal de Paraipaba, no interior do Ceará. Na ocasião, Khlisto foi preso em flagrante enquanto realizava atendimentos médicos sem possuir qualquer formação ou habilitação técnica na área. Para enganar as instituições e os pacientes, o soldado utilizava carimbos e registros profissionais (CRM) de médicos legítimos, assumindo falsas identidades.
Reincidência e Riscos à Vida
As investigações da Controladoria Geral de Disciplina (CGD) revelaram que o “falso médico” não limitou suas atividades a Paraipaba. Houve indícios de que o militar também atuou de forma irregular em unidades de saúde no Rio Grande do Norte.
A gravidade do crime reside no risco direto à vida dos pacientes atendidos. Sem conhecimento técnico para diagnósticos ou prescrições, cada consulta realizada pelo então soldado representava uma ameaça potencial à saúde pública. A quebra de conduta foi considerada “insanável” pela corporação, uma vez que o militar violou frontalmente a ética e a probidade exigidas de um oficial de segurança.
A Decisão da CGD
Após o período de apuração, a CGD concluiu que a permanência de Khlisto nos quadros da PMCE era incompatível com a honra militar. O procedimento administrativo confirmou que o agora ex-soldado cometeu infrações disciplinares de natureza grave, resultando na sanção de demissão.
O caso reacendeu o debate sobre a fiscalização em hospitais municipais e a facilidade com que indivíduos conseguem fraudar sistemas de escala médica em cidades do interior. A demissão serve como um recado institucional de que crimes cometidos fora da atividade policial, mas que ferem a moralidade pública, não serão tolerados.
Linha do Tempo do Caso
| Ano | Evento |
| 2022 | Prisão em flagrante no Hospital de Paraipaba enquanto atendia como médico. |
| 2022-2024 | Investigação da CGD identifica fraudes também no Rio Grande do Norte. |
| 2025 | Conclusão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD). |
| 19/01/2026 | Demissão oficial publicada no Diário Oficial do Estado do Ceará. |


