Confiança na rede de proteção incentiva mais mulheres a romper o silêncio e denunciar agressões
Por Karla Neves
As denúncias por violência contra a mulher em São Paulo indicam uma importante redução do silêncio das vítimas. A queda na subnotificação reflete maior confiança das vítimas na atuação policial e no acolhimento oferecido pela rede de proteção em todo o estado.
“As denúncias são uma camada fundamental de proteção”, afirmou a delegada das Delegacias de Defesa da Mulher, Adriana Liporoni. “Com mais mulheres conhecendo seus direitos e os canais de amparo disponíveis, o ciclo de violência começa a ser rompido ainda nos primeiros sinais, permitindo ações mais eficazes.”
A formalização das ocorrências permite que a Polícia Civil inicie as investigações e responsabilize os agressores, assegurando acolhimento e proteção às vítimas. “À medida que o medo de denunciar diminui, a subnotificação cai. Esse é o nosso compromisso: oferecer cada vez mais acesso à informação, proteção e autonomia para as mulheres”, reforçou a delegada.
As delegacias de proteção às mulheres registraram, no ano passado, uma média de 16 mil boletins de ocorrência de violência doméstica e familiar em todo o estado.
O enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de estupro, é tratado como prioridade pelo governo, que tem investido na ampliação das políticas públicas de proteção e acolhimento às vítimas.
O estado de São Paulo possui a maior rede de Delegacias de Defesa da Mulher do país, com 142 unidades territoriais, além de 170 Salas DDMs implantadas nos plantões policiais, com atendimento especializado e ininterrupto, 24 horas por dia. Cerca de 100 dessas unidades foram criadas nos últimos três anos.
“Esses espaços são acolhedores, reservados e humanizados. A vítima recebe orientação sobre medidas protetivas de urgência e o encaminhamento necessário. São ferramentas essenciais para garantir um atendimento completo às mulheres em situação de violência”, destacou a coordenadora das DDMs. “É nesses ambientes que elas são ouvidas, acolhidas e orientadas a trilhar um caminho de proteção, autonomia e acesso à assistência social e jurídica, fundamentais para romper o ciclo da violência”, completou.
Outra importante ferramenta de escuta e proteção é a Cabine Lilás, inaugurada no ano passado, está sendo expandida para todo o interior paulista. O programa, que funciona pelo telefone de emergência da Polícia Militar (190), tem o objetivo de acolher e oferecer suporte às mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial. O serviço pode ser solicitado pela vítima ou ser ofertado pelo atendente, caso a solicitante queira falar diretamente com uma policial.
Além disso, São Paulo conta com o aplicativo SP Mulher Segura, que conta com botão do pânico para acionamento por mulheres com medida protetiva, além de oferecer a possibilidade de registrar o boletim de ocorrência online.

“O fortalecimento da rede de apoio, por meio de políticas públicas eficientes, tem estimulado as denúncias. Isso impacta diretamente o acolhimento e a proteção das mulheres. A ampliação dos canais de denúncia e a constante capacitação dos profissionais envolvidos têm sido determinantes para que as vítimas se sintam mais seguras ao buscar ajuda.”


