No Dia Internacional dos Direitos Humano Dra. Flaviana Teixeira alerta que negligência, falta de escuta e diagnósticos tardios configuram violações de direitos que afetam milhões de brasileiras
Em alusão ao Dia Internacional dos Direitos Humanos, o debate sobre a saúde da mulher ganha um foco crítico: a relação entre a dor íntima crônica e a violação de direitos. O problema da demora no diagnóstico de condições como endometriose, vulvodínia e dor pélvica crônica afeta milhões de mulheres no Brasil. Estima-se que, em casos como o da endometriose, o atraso diagnóstico possa chegar a 7 ou até 10 anos, um período em que a paciente experimenta intenso sofrimento físico, prejuízo na vida profissional e isolamento social.
Essa longa jornada é marcada por consultas em que a dor é frequentemente minimizada ou desqualificada, levando à negligência e à falta de tratamento adequado. Para a área da saúde, o questionamento é imperativo: por que a dor feminina é tão ignorada?
A fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira lança um alerta contundente: “Direitos humanos começam no consultório”. Ela destaca que a negligência, a falta de escuta ativa e os diagnósticos tardios configuram violações de direitos que afetam a qualidade de vida, a sexualidade e a autonomia dessas mulheres, indo muito além de uma simples falha na conduta médica.
“Quando uma mulher busca ajuda para uma dor que a incapacita, que destrói sua vida sexual e profissional, e o profissional de saúde a manda para casa dizendo que ‘é coisa da cabeça’ ou ‘é normal sentir dor’, o que está acontecendo é uma violação do seu direito fundamental à saúde e à dignidade”, afirma.
A especialista ressalta que o direito à saúde, previsto na Constituição e endossado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, implica um atendimento que seja acessível, de qualidade e, sobretudo, humano. A invisibilidade de doenças femininas e a chamada “medical gaslighting” (quando o paciente tem sua dor desqualificada pelo médico) configuram, para a especialista, uma forma de violência.
“A dor crônica, se não tratada, rouba a capacidade da mulher de trabalhar, de ter relacionamentos saudáveis e de exercer sua sexualidade. É uma violência silenciosa que tem como principal vítima a mulher. Precisamos reconhecer que a falta de conhecimento sobre patologias pélvicas e a pressa no atendimento resultam em diagnósticos que chegam com atrasos de 7 a 10 anos em casos de endometriose, por exemplo. Esse tempo é a negação de uma vida plena”, explica.
O caminho para reverter esse cenário passa pela capacitação profissional e pela mudança de postura. A Fisioterapia Pélvica, por exemplo, atua no tratamento e na reabilitação dessas dores, validando a experiência da paciente e oferecendo um caminho de alívio e recuperação funcional.
“O consultório precisa ser um espaço de escuta ativa, de validação e de empoderamento. Se o profissional não está treinado para diagnosticar, ele tem o dever ético de encaminhar,” defende a palestrante. “Neste Dia dos Direitos Humanos, o recado é direto: o direito à saúde começa com o direito de ser ouvida e de ter a sua dor levada a sério. A dor íntima é real e ignorá-la é privar a mulher de sua liberdade e de seu bem-estar”, conclui.
Acompanhe o trabalho da Dra. Flaviana Teixeira nas redes sociais: @flavianateixeirafisio | flavianafisiopelvica.com.br
Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante.


