O Brasil assistiu, estarrecido, à aprovação da PEC das Prerrogativas, apelidada com razão de PEC da Impunidade. Com 353 votos favoráveis, a proposta transforma o Congresso em fortaleza de proteção para parlamentares e dirigentes partidários, blindando-os contra investigações, prisões e qualquer tentativa de responsabilização. Um retrocesso institucional que escancara o desprezo pela ética, pela justiça e pelo povo.
E quem liderou esse escárnio? PL, União Brasil, PP e Republicanos, partidos que se autodeclaram defensores da moral, da família e da pátria, mas que na prática legislam em causa própria e contra o interesse público. O PL, partido de Jair Bolsonaro, deu 83 votos a favor da blindagem. União Brasil contribuiu com 53 votos, o PP com 46, e os Republicanos com 42.
Essas siglas, que se apresentam como guardiãs da ordem, optaram pela desordem institucional. Em vez de fortalecer a democracia, a sabotam por dentro, criando mecanismos para que seus quadros escapem da lei — inclusive em votações secretas, longe dos olhos do eleitor.
O FUNDO DO POÇO TEM SUBSOLO
A PEC permite que deputados e senadores barram suas próprias prisões, mesmo em flagrante. E mais: concede foro privilegiado no STF para presidentes de partidos, mesmo sem mandato. É o tipo de medida que não protege a democracia — protege criminosos com mandato.
Enquanto isso, partidos como PT, PSOL, PCdoB e NOVO votaram majoritariamente contra a proposta, tentando preservar o mínimo de decência institucional. Mas foram atropelados por uma maioria que confunde poder com impunidade, e mandato com imunidade total.
O SILÊNCIO DO ELEITOR É CÚMPLICE
É preciso dizer com todas as letras: o eleitor que vota nesses partidos está legitimando esse projeto de blindagem. A cada eleição, a democracia é ferida por quem deveria defendê-la. E o resultado está aí: um Congresso que legisla para si, e um povo que paga a conta — calado, humilhado e enganado.


