Editorial| A autodeterminação dos povos é soberana — e inegociável

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Legenda: Mapa da Venezuela encoberto pela bandeira dos Estados Unidos e escrito em inglês, FechadoLegenda: Mapa da Venezuela encoberto pela bandeira dos Estados Unidos e escrito em inglês, Fechado

A autodeterminação dos povos não é concessão, não é favor e tampouco pode ser relativizada conforme interesses econômicos ou geopolíticos. Ela é um princípio soberano, fundamento do direito internacional e da própria ideia de civilização. Nenhuma nação, por mais poderosa que seja, tem o direito de invadir outra, impor sua vontade ou se apropriar de riquezas que pertencem a um povo e à sua história.

A invasão de um país — sob qualquer pretexto — é sempre um ato de violência. Não há discurso moral, humanitário ou ideológico que justifique tanques cruzando fronteiras, sanções que condenam populações inteiras à miséria ou intervenções que destroem economias em nome de uma suposta “libertação”. Liberdade não se impõe pela força.

Cabe exclusivamente aos povos decidir o seu destino. Errar, acertar, mudar, resistir ou reconstruir fazem parte da soberania popular. Quando potências externas se colocam como tutoras de nações inteiras, o que está em jogo não é democracia, mas dominação. Não é defesa de valores, mas apropriação de recursos, controle político e imposição de interesses.

É preciso também dizer o óbvio que muitos evitam: ditadores são execráveis em qualquer lugar do mundo. Sejam eles de esquerda, de direita, aliados ou inimigos do chamado “Ocidente”. Não há ditadura aceitável quando serve a interesses estrangeiros, assim como não há tirania menos cruel porque agrada a este ou àquele bloco de poder. A coerência moral exige condenar todas, sem exceção.

A história já mostrou, inúmeras vezes, que intervenções externas não libertam povos — elas os aprisionam em ciclos de violência, dependência e destruição. Iraque, Líbia, Afeganistão e tantos outros exemplos estão aí para provar que o imperialismo moderno troca discursos, mas mantém a mesma lógica predatória.

Defender a autodeterminação dos povos não é defender governos, líderes ou regimes. É defender um princípio básico: ninguém tem o direito de decidir o futuro de outro país à bala, à chantagem econômica ou à mentira midiática.

Ou o mundo respeita a soberania das nações, ou continuará refém de uma ordem internacional onde o mais forte manda e o mais fraco sofre. E isso não é democracia, não é justiça e jamais será paz.

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