EDITORIAL| Carcando a Moleira: Quando o poder público vira agressor e a sociedade é tratada como inimiga

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FOTO/ARQUIVO – jornalista vítima de agressão por militantes de Bolsonaro no Recife – 7/10/2018 (Sérgio Bernardo/JC Imagem)

Chega de meias palavras: é preciso carcar a moleira da hipocrisia institucional que insiste em se repetir no Brasil. Prefeitos, vereadores e gestores que deveriam ser guardiões da democracia e da cidadania se transformam em agressores da imprensa, inimigos da transparência e cúmplices da desigualdade.

A covardia travestida de autoridade

Quando um prefeito parte para cima de uma repórter, não é apenas um ato isolado de violência. É a expressão de um poder que se julga acima da lei, que acredita poder calar vozes críticas com intimidação física e verbal. É a tentativa de transformar o espaço público em território privado, onde a verdade é sufocada e a denúncia vira ameaça.

O escárnio contra o povo

Enquanto isso, nas favelas e periferias, a cena é a mesma: abandono, descaso e invisibilidade. Os governos municipais preferem erguer monumentos para a elite, celebrar empreendimentos imobiliários e posar para fotos, enquanto milhares de famílias vivem sem saneamento, sem moradia digna e sem perspectiva de futuro.

  • Favela vira apenas voto.
  • Jornalista vira apenas inimigo.
  • O cidadão honesto vira apenas figurante em um espetáculo de poder.

A crítica necessária

É hora de dizer sem rodeios: quem agride a imprensa agride a democracia. Quem abandona as favelas trai o povo. Quem se esconde atrás de discursos de “valores familiares” para justificar homofobia ou exclusão, comete crime e precisa ser responsabilizado.

O Brasil não precisa de gestores que confundem autoridade com truculência, nem de elites que enriquecem às custas da exploração dos mais pobres. Precisa de coragem para enfrentar privilégios, punir abusos e garantir que a Constituição seja mais forte do que qualquer “bar de família” ou qualquer prefeito exaltado.

Carcar a moleira, neste editorial, significa expor sem piedade as contradições, denunciar sem medo os abusos e exigir que a sociedade não aceite mais ser tratada como massa de manobra.

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