A Prefeitura de Marília tem adotado uma prática cada vez mais comum no cenário nacional: alugar prédios ociosos, antigos e muitas vezes abandonados, sob o pretexto de atender demandas administrativas ou sociais. Na superfície, parece gestão. Mas, ao olhar mais fundo, o que se revela é um jogo de interesses, onde o dinheiro público serve como moeda de favor político e resgate de negócios privados frustrados.
Empresários que outrora criticavam o Estado, exaltando a estética capitalista da livre iniciativa, agora se valem do poder público para “se arrumar”. Prédios fechados, sem uso, transformam-se em fonte de renda garantida — pagos com recursos da população. O Estado, antes vilão, vira salvador. A lógica é clara: quando o mercado falha, o governo socorre. Mas não socorre a todos — apenas os que têm acesso, influência e, claro, utilidade eleitoral.
Marília não foge à regra. Os chamados “elefantes brancos” da cidade, imóveis que não servem mais ao interesse público, são alugados pela Prefeitura em contratos pouco transparentes. E, como se não bastasse, esses acordos vêm acompanhados da velha moeda política: “lembra que te ajudei, aluguei seu prédio… agora me ajuda em 2026, 2028 e nas eleições que vierem”.
Essa prática não é apenas imoral — é um desvio de finalidade. O dinheiro público não pode ser usado como esparadrapo para negócios falidos, nem como ferramenta de barganha eleitoral. Ele deve servir ao interesse coletivo, com critérios claros, planejamento estratégico e respeito à transparência.
A sociedade precisa reagir. É hora de exigir que cada centavo gasto pela Prefeitura tenha justificativa técnica, impacto social e retorno público. Marília merece mais que favores. Merece gestão.
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