Marília acorda novamente sob o signo do horror. Mais um feminicídio entra para a conta macabra de uma cidade que parece ter se acostumado ao inaceitável. O que é mais aterrorizante: o crime em si ou o silêncio ensurdecedor que o sucede? Onde está a mobilização de quem tem o dever constitucional de zelar pela vida?
A Inércia do Poder e a “Bancada do Silêncio”
É apavorante o descaso do Poder Público municipal. Enquanto mulheres são riscadas do mapa da vida, a Prefeitura omite-se na implantação de políticas eficazes de acolhimento e proteção. Na Câmara Municipal, o cenário é de desolação política: onde está a voz da dita “bancada feminina”? Ocupar cadeiras no Legislativo exige mais do que presença; exige o grito contra a barbárie. O silêncio da Câmara é o combustível que alimenta a sensação de impunidade.
Além da Lei: A Intoxicação Cultural
Embora a legislação brasileira — fortalecida sob a ótica da proteção integral e com penas mais severas sancionadas pelo governo federal — tipifique e puna o feminicídio com rigor, a lei sozinha não basta para estancar a hemorragia. Marília é uma sociedade intoxicada por um machismo de viés conservador e alienante.
- A Educação da Submissão: Ainda criamos nossas mulheres para serem submissas e nossos homens para serem “machos” desprovidos de empatia.
- O Papel da Religião: É preciso coragem para dizer que certas interpretações religiosas estimulam esse sub-papel social da mulher, relegando-a à subserviência sob o manto de uma falsa tradição.
Do Suicídio ao Feminicídio: O Ranking do Abandono
Nossa cidade, que já amarga números macabros nas estatísticas de suicídio sem que uma rede de saúde mental robusta fosse estabelecida, agora parece querer pontuar no ranking das capitais do feminicídio. E o que vemos? Ruas desertas de indignação. Ruas covardes.
Onde estão as entidades de classe? Onde estão as manifestações das “autoridades” que só aparecem em época de busca pelo voto? A vida da mulher mariliense não pode ser um detalhe burocrático ou uma nota de rodapé policial.
Exigimos Voz
Não aceitaremos o silêncio como resposta. O Portal GPN cobra uma manifestação imediata e ações concretas, e não apenas notas de pesar. A omissão é uma forma de cumplicidade. Enquanto Marília não se mobilizar, cada rua deserta será cúmplice do próximo golpe, da próxima facada, da próxima vida interrompida pela covardia masculina e pela negligência política.
Pela vida das mulheres de Marília. Chega de silêncio!


