Editorial | Marília, capital do suicídio: quando o silêncio das autoridades custa vidas

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Marília, outrora conhecida por sua força educacional, industrial e cultural, hoje carrega um título sombrio: o de possível capital dos suicídios per capita no estado de São Paulo — e talvez do Brasil. A cada semana, uma nova tragédia. A cada mês, mais famílias devastadas. E a cada ano, um aumento silencioso e cruel nas estatísticas que ninguém quer encarar.

O caso mais recente, de uma mulher encontrada morta na zona oeste da cidade, é apenas mais um capítulo de uma história que se repete com frequência assustadora. E o que mais choca não é apenas o número de mortes, mas o abandono institucional que cerca cada uma delas.

A Câmara Municipal de Marília permanece muda. Nenhuma audiência pública, nenhum projeto de lei, nenhuma comissão permanente dedicada à saúde mental. Os vereadores, eleitos para representar o povo, parecem ignorar que o povo está morrendo — não por falta de vontade de viver, mas por falta de apoio para continuar.

A Prefeitura, por sua vez, tenta agir. Os profissionais da saúde se desdobram, os CAPS lutam com recursos escassos, e há esforços visíveis. Mas é insuficiente. Faltam psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, campanhas educativas, ações nas escolas, acolhimento comunitário. Faltam braços. Faltam olhos atentos. Faltam políticas públicas que tratem a saúde mental como prioridade — e não como rodapé de orçamento.

Enquanto isso, o sofrimento se alastra. Jovens, adultos, idosos. Pessoas que poderiam ser salvas, se houvesse escuta. Se houvesse estrutura. Se houvesse coragem política.

Este editorial é um chamado. Um grito. Um pedido de urgência. Marília não pode continuar enterrando seus filhos em silêncio. Não pode aceitar que o suicídio seja tratado como tabu, como estatística fria, como problema invisível.

É hora de romper o ciclo. É hora de cobrar dos vereadores, dos gestores, dos líderes comunitários. É hora de transformar dor em ação. Porque cada vida perdida é uma derrota coletiva. E cada silêncio institucional é um cúmplice da tragédia.

Marília precisa de mais que luto. Precisa de luta.

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