EDITORIAL| O Massacre Invisível – 1.470 Mulheres Assassinadas que o Estado se Recusou a Proteger

Compartilhe:

A Anatomia do Ódio e a Ineficiência do Estado

O Brasil encerrou o ano de 2025 com uma marca de sangue que deveria paralisar o país: 1.470 mulheres foram assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. A média de quatro feminicídios por dia não é apenas uma estatística; é o retrato de uma guerra declarada contra o gênero feminino dentro de seus próprios lares e em plena via pública.

O Crime de Hoje: A Sangue Frio e Sem Temor

O episódio ocorrido hoje no Rio de Janeiro é a síntese do horror. No meio da rua, à luz do dia e sem qualquer temor das consequências ou da autoridade, um homem executou sua ex-mulher com dois tiros. O motivo? O roteiro de sempre: o inconformismo com o fim de um relacionamento.

Esse crime não foi um “arroubo de paixão”, mas o ato final de uma mentalidade de posse. Quando um agressor mata em público, ele está enviando uma mensagem: ele se sente dono da vida daquela mulher e acredita estar acima da lei.

O Fracasso das Medidas Protetivas

É imperativo questionar: onde está a prioridade da polícia? Medidas protetivas não podem ser apenas pedaços de papel que a vítima carrega no bolso enquanto é perseguida. É preciso que o sistema de segurança pública trate a ameaça de gênero com a mesma urgência que trata um crime contra o patrimônio. A proteção deve ser real, monitorada e implacável. Sem prioridade na execução dessas medidas, o Estado torna-se cúmplice por omissão.

A Criação do “Macho Sagaz” e o Vazio de Humanidade

O problema é estrutural e nasce no berço. O Brasil ainda é o país que mais mata suas mulheres porque ainda educa seus homens sob o manto de uma criação patriarcal nojenta e odiosa.

Somos uma fábrica de “machos sagazes” — homens ensinados a conquistar, dominar e nunca perder — mas que se revelam absolutamente incapazes de serem seres humanos. Essa masculinidade tóxica, que confunde virilidade com violência e amor com controle, deve ser abominada e combatida em todas as instâncias: na família, na escola e na justiça.

É Preciso Parar

Não aceitaremos que o feminicídio se torne paisagem urbana. O Brasil não pode continuar sendo o carrasco de suas filhas, mães e irmãs. A violência precisa parar, a cultura patriarcal precisa ser desmontada e a justiça precisa ser, finalmente, braço forte de proteção, e não apenas o marcador de óbitos.

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web