O feminicídio no Brasil atingiu números alarmantes em 2025. Segundo o Mapa da Segurança Pública e o Monitor de Feminicídios, foram mais de mil casos consumados apenas neste ano, além de 5.582 registros entre consumados e tentativas até outubro. Isso significa que, em média, uma mulher é morta a cada 10 minutos no país.
Em Marília, a situação não é diferente. Embora a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não tenha atualizado os dados desde 2022, os registros apontam 38 feminicídios entre 2015 e 2022. A ausência de estatísticas recentes é, por si só, um sintoma da negligência institucional: como enfrentar um problema sem sequer medir sua dimensão?
O silêncio sepulcral da representatividade
Nesse cenário, causa indignação o silêncio das quatro mulheres que ocupam cadeiras na Câmara Municipal de Marília. Eleitas com votos de milhares de mulheres, deveriam ser paladinas da voz feminina contra a violência. No entanto, até aqui:
- Nenhum projeto de amparo às vítimas de violência.
- Nenhum protesto organizado nas ruas.
- Nenhuma comissão parlamentar convocada para apurar a epidemia local.
- Nenhuma cobrança pública à prefeitura sobre políticas de acolhimento social.
A distância entre discurso e prática
A prefeitura ostenta gastos faraônicos com a chamada Casa da Mulher Brasileira, mas a estrutura funciona mais como cartão postal político do que como política pública efetiva. Entre o discurso da defesa da mulher e a concretude de neutralizar a violência doméstica há uma distância abissal.
E onde estão as vozes que ecoam na defesa da mulher?
Quatro mulheres ocupam a vereança em Marília. Quatro oportunidades de transformar votos em voz, e voz em ação. Mas até agora, o que se vê é representatividade de ocasião, oportunismo com foco no gênero como chamariz eleitoral, sem se converter em escudo de defesa da condição feminina.
Mais ação efetiva
O feminicídio é uma epidemia nacional e local. O silêncio sempre será cúmplice da violência. A cidade não precisa de vozes que calam, precisa de ação. Até quando Marília vai assistir à matança de mulheres sem que suas representantes políticas se levantem?


