No último domingo, enquanto milhares de famílias celebravam o Dia dos Pais com abraços e homenagens, uma casa no Morro Nova Cintra, em Santos (SP), se tornava palco de uma tragédia que escancara o que muitos preferem ignorar: a violência doméstica não escolhe data, nem perfil. Um sargento do Exército Brasileiro assassinou sua companheira de 21 anos, a filha bebê do casal, e em seguida tirou a própria vida. Três vidas interrompidas em um ato brutal, silencioso e devastador.
⚠️ O perfil do agressor não é exceção — é parte de um padrão que precisa ser enfrentado. Homens armados, treinados, com acesso a instrumentos letais, muitas vezes carregam dentro de casa conflitos não tratados, traumas não reconhecidos, e uma cultura de masculinidade tóxica que os impede de buscar ajuda. O resultado? Famílias destruídas, mulheres mortas, crianças órfãs — ou, como neste caso, vítimas fatais.
O fato de o crime ter sido cometido por um militar levanta questões urgentes sobre protocolos de saúde mental nas Forças Armadas. Existe acompanhamento psicológico real? Há canais seguros para que esses profissionais possam pedir socorro sem medo de represálias ou estigmas? E mais: por que ainda é tão difícil para a sociedade reconhecer que o lar pode ser o lugar mais perigoso para uma mulher?
📉 O Brasil segue entre os países com maiores índices de feminicídio no mundo. E embora leis como a Maria da Penha tenham avançado, a prevenção ainda é frágil, os sinais ignorados, e os agressores muitas vezes protegidos por instituições que deveriam zelar pela vida.
Neste Dia dos Pais, o país foi forçado a encarar uma realidade dolorosa: nem todo pai é protetor. Nem todo lar é seguro. E enquanto continuarmos tratando casos como esse como “tragédias isoladas”, estaremos falhando com todas as Gabriellys e todas as Jades que ainda vivem sob ameaça.
🛑 É hora de romper o silêncio. De cobrar políticas públicas eficazes. De exigir que instituições militares e civis assumam responsabilidade pela saúde emocional de seus membros. E, acima de tudo, de entender que violência doméstica é uma questão coletiva — não privada.


