ELEIÇÕES EM SP| O MASOQUISMO ELEITORAL — POR QUE O ELEITOR PAULISTA INSISTE NO MODELO QUE ESMAGA PROFESSORES E POLICIAIS?

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Esta é uma análise profunda sobre um fenômeno que parece desafiar a lógica, mas que é fruto de uma construção política de décadas em São Paulo. O “modelo paulista” de gestão tornou-se uma máquina de moer direitos sob a embalagem de eficiência técnica.


São Paulo vive um paradoxo perverso. O estado mais rico da Federação é, simultaneamente, o laboratório de um projeto de desmonte que transforma direitos básicos em mercadorias lucrativas para o setor privado. No centro desse moedor de carne estão duas figuras fundamentais para qualquer civilização: o professor e o policial. A pergunta que ecoa nos corredores das escolas sucateadas e nos quartéis desvalorizados é: por que a sociedade paulista insiste em um modelo que trabalha contra ela própria?

O Professor Esmagado e o Policial Invisível

Não há como falar em progresso quando quem educa o futuro e quem protege o presente são tratados como custos a serem cortados.

  • Na Educação: Professores enfrentam salas superlotadas, salários defasados e uma pressão psicológica constante. O desmonte não é um erro, é um método. Ao sucatear o ensino público, o governo abre o mercado para os gigantes do ensino privado, vendendo a ideia de que “o que é público não funciona”.
  • Na Segurança: O policial paulista vive o dilema de ser a linha de frente de um estado que o ignora. Sem valorização real, sem planos de carreira dignos e com equipamentos muitas vezes aquém do necessário, o servidor da segurança pública é usado como escudo político, enquanto o sistema de proteção social é entregue a empresas de vigilância e tecnologia privada.

A Venda do Estado: O Público Tornou-se Balcão de Negócios

O modelo de gestão que se perpetua em São Paulo é o da “privatização por asfixia”. Primeiro, corta-se o investimento, retira-se a manutenção e demoniza-se o servidor. Quando o serviço colapsa, a solução é apresentada em uma bandeja de prata para o capital privado. Bens que pertencem ao povo são fatiados e entregues a empresários que, legitimamente, buscam o lucro — mas o lucro não educa crianças e nem pacifica territórios.

A Miopia do Eleitor: Entre a Propaganda e a Realidade

Por que, então, a insistência nesse modelo? Parte da resposta reside em uma propaganda oficial poderosa, que vende “obras de vitrine” enquanto os alicerces sociais apodrecem. Outra parte vem de um histórico político que convenceu o eleitor de que o Estado deve ser gerido como uma empresa. Mas uma empresa visa o lucro; um Estado deve visar a dignidade.

O olhar míope do eleitor de vantagem acaba por ignorar que, ao economizar no salário do professor, ele pagará mais caro na mensalidade escolar ou na segurança privada. No fim, a conta sempre chega para a população, e o troco fica no bolso de poucos grupos econômicos que financiam e sustentam essa perpetuação no poder.

Até Quando?

Continuar com este modelo é assinar um cheque em branco para a própria decadência. São Paulo não precisa de um estado que seja um balcão de negócios; precisa de um estado que valorize quem ensina e quem protege. Enquanto a sociedade não enxergar que o desmonte do serviço público é o desmonte da sua própria segurança e do futuro de seus filhos, o ciclo de “vender o almoço para comprar a janta” continuará esmagando quem realmente faz o estado funcionar.

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