Especialista em saúde corporativa explica como ajustes simples no dia a dia da equipe após as festas podem aumentar engajamento e bem-estar
O início de um novo ano é invariavelmente marcado por uma onda de reflexão e a criação de resoluções. Enquanto indivíduos se concentram em melhorar a saúde ou adquirir novas habilidades, este é também um momento de imenso potencial para as empresas revisarem seus padrões de funcionamento. O período de retorno pós-festas, que naturalmente carrega uma energia de recomeço e uma leve desaceleração no ritmo, oferece uma janela de oportunidade única para que as organizações implementem ajustes sutis, mas altamente eficazes, em seus protocolos diários.
A meta não é iniciar programas complexos ou dispendiosos, mas sim recalibrar os micros-hábitos do dia a dia da equipe, promovendo um ambiente de trabalho mais saudável, eficiente e com maior bem-estar, antes que a rotina intensa se instale novamente.
Renata Livramento, psicóloga e especialista em gestão de saúde corporativa, argumenta que esse é o momento ideal para a organização também revisitar seus hábitos. “Existe uma energia de recomeço em janeiro que não se repete. As pessoas estão mais abertas a mudanças e a testar novas formas de trabalhar. Ignorar essa oportunidade é desperdiçar o combustível da renovação. Não precisamos de grandes programas, mas de pequenas correções de rota que sinalizem que a empresa valoriza o bem-estar e a eficiência”, comenta.
Muitas vezes, o clima organizacional é minado por pequenos atritos e ineficiências diárias. Ela compara a gestão do clima a uma série de micros-hábitos, e não a um evento isolado. “Uma reunião que começa 15 minutos atrasada todos os dias, um e-mail com tom ambíguo que gera ansiedade, ou a falta de reconhecimento imediato… São esses pequenos descuidos que, somados, criam um ambiente pesado e desmotivador. O ano novo nos dá a chance de polir esses hábitos,” afirma a especialista.
A sobrecarga de comunicação é um dos principais fatores de estresse corporativo. Em janeiro, é o momento de estabelecer novas regras. Uma delas é a política de e-mail pós-horário, que desestimula o envio de mensagens fora do horário de trabalho. Se for necessário, o gestor deve agendar o envio para o início do dia seguinte, protegendo o tempo de descanso do colaborador. Outro ponto é a adoção de reuniões estruturadas, como o conceito de reunião de pé para updates rápidos com um máximo de 15 minutos. Para encontros mais longos, é obrigatório um objetivo claro e uma agenda prévia, garantindo que o tempo de todos seja respeitado.
O retorno ao trabalho em janeiro não deve ser sobre pressionar, mas sobre priorizar. Priorizar a clareza, a comunicação respeitosa e o bem-estar. Esses são os verdadeiros pilares para que o engajamento de 2026 seja sustentável e traga resultados.
Saiba mais sobre o trabalho da Renata Livramento: renatalivramento.com.br | @renata.livramento
Fonte: Renata Livramento — Psicóloga | Doutora em administração | Especialista em gestão de saúde corporativa.


