Escândalo no Senado: manobra atropela regras e favorece Bolsonaro

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Legenda: deputado Lindbergh Farias contrário ao acordão no Senado

O Senado Federal virou palco de mais uma manobra regimental explosiva. O chamado PL da Dosimetria (PL 2.162/2023), que pode beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro em processos criminais, foi aprovado em ritmo acelerado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O detalhe que revoltou parlamentares: o prazo de vista foi reduzido de forma inédita para apenas quatro horas, um atropelo às regras regimentais e ao direito das minorias.

O que está em jogo

  • O projeto altera critérios de progressão de regime e exclui centenas de tipos penais da norma aprovada pela Câmara.
  • Uma emenda classificada como “de redação” foi aprovada, mas na prática mudou profundamente o regime jurídico da execução penal.
  • A manobra evitou que o texto voltasse à Câmara, encerrando a tramitação no Senado e burlando o princípio do bicameralismo.

A reação do PT

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, protocolou mandado de segurança no STF contra a tramitação.

  • A ação denuncia fraude procedimental e violação ao devido processo legislativo.
  • O partido aponta que a aceleração artificial comprometeu a legitimidade democrática e esvaziou o debate parlamentar.
  • O pedido liminar solicita a suspensão imediata da tramitação e dos efeitos da aprovação.

Divisão interna e desgaste político

O episódio expôs fissuras dentro da própria base governista:

  • O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apoiou a redução do prazo de vista, alegando necessidade de acelerar a pauta.
  • A posição gerou críticas e ampliou o desgaste político de Wagner, acusado de conduzir de forma desastrosa temas sensíveis.
  • O confronto interno entre Lindbergh e Wagner escancara a falta de consenso na base aliada.

Risco institucional

O PL da dosimetria pode incidir diretamente sobre crimes contra o Estado Democrático de Direito, afetando ações penais ainda em andamento no STF. Para críticos, trata-se de uma interferência indevida do Legislativo sobre o Judiciário, com potencial de fragilizar julgamentos em curso.

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